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Santa Cruz

Santa Cruz Futebol Clube · Associação · DF de 2025 publicada em 30/07/2026 · auditoria: Equity Auditores Independentes

1.Quanto o clube arrecadou?

R$ milhões2025Variação
sobre 2024
Receita total
Brasileiro 2025Série D

Tudo o que o clube arrecadou com a operação no ano: as receitas do dia a dia mais a negociação de atletas. Não entram receitas financeiras, ganhos em ações judiciais, perdão de dívida, reavaliação de ativos e contratos de longo prazo reconhecidos de uma só vez.

2025, em R$ milhões:

  • Receita recorrente: 30,1 (nota 16, p.28–29)
  • Receita com negociação de atletas: 1,0 (nota 16, p.29)

Obs: As doações (702) e os ressarcimentos lançados na receita do clube social ficam fora, como em todos os clubes. O número é a receita bruta da nota 16, antes das deduções de 1.381, que são o repasse à federação estadual e o repasse de bilheteria.

31,1+128,3%
Receita recorrente
Brasileiro 2025Série D

Quanto o clube arrecada por ano com a operação, sem a venda de atletas: transmissão, premiações, bilheteria, sócio-torcedor, patrocínio e publicidade.

2025, em R$ milhões e em porcentagem da receita recorrente:

  • Bilheteria: 15,1 (50,0%)

    Passou de R$ 3,2 mi em 2024 para R$ 15,1 mi, mais 363,5%. Em 2025 o clube disputou o Campeonato Brasileiro, que não disputou em 2024, e a nota 1 cita a bilheteria e o acesso à Série C; a bilheteria do Brasileiro, linha nova, rendeu 9.813 (nota 1, p.12; nota 17 a, p.30; nota 16, p.28).

    Campeonato Brasileiro9,832,6%
    Campeonato Pernambucano4,113,6%
    Copa do Nordeste0,92,9%
    Outras receitas, que a DF não abre0,30,9%
  • Mensalidades e anuidades: 8,1 (26,9%)

    Passou de R$ 3,1 mi em 2024 para R$ 8,1 mi, mais 161,4%. A nota 1 cita o sócio torcedor entre as receitas que mais cresceram no ano: a mensalidade foi de 1.917 para 6.473 (nota 1, p.12; nota 16, p.29).

    Mensalidade do sócio torcedor6,521,5%
    Anuidade de cadeira0,51,7%
    Mensalidade do conselho deliberativo0,51,6%
    Anuidade de camarote0,31,1%
    Outras receitas, que a DF não abre0,31,0%
  • Marketing e comercial: 4,2 (13,9%)

    Passou de R$ 2,2 mi em 2024 para R$ 4,2 mi, mais 94,8%. A DF não explica o aumento, que vem dos patrocínios (nota 16, p.28–29).

    Patrocínios3,010,0%
    Licenciamento da marca1,23,9%
  • Direitos de transmissão: 1,7 (5,8%)

    Passou de R$ 0,2 mi em 2024 para R$ 1,7 mi, mais 843,2%. Em 2024 o clube disputou só o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste; o Campeonato Brasileiro, linha nova, rendeu 1.337 (nota 17 a, p.30; nota 16, p.28).

    Campeonato Brasileiro1,34,4%
    Campeonato Pernambucano0,31,0%
    Copa do Nordeste0,10,4%
    Reembolso, que a DF não descreve< 0,1< 0,1%
  • Clube social, sem as doações e os ressarcimentos: 1,0 (3,4%)
    Estacionamento, aluguéis e exploração comercial0,31,1%
    Prática esportiva e escolinha0,31,0%
    Camarotes, alimentos e bebidas0,30,9%
    Mensalidades e taxas0,10,4%
    Eventos sociais< 0,1< 0,1%
    Venda de cadeira< 0,1< 0,1%

Fonte: nota 16, p.28; nota 16, p.29; nota 16, p.28–29 do documento.

30,1+203,6%
Receita com negociação de atletas

O que entrou com venda e empréstimo de atletas, incluindo o mecanismo de solidariedade. Varia muito de um ano para o outro.

2025, em R$ milhões:

Repasse definitivo de direitos federativos0,9nota 16, p.29
Repasse parcial de direitos econômicos+0,1nota 16, p.29
Receita com negociação de atletas=1,0
Atletas negociados (nota 16, p.29)
  • Lázaro Gonçalves, ao Cuiabá Esporte Clube SAF
  • David Miguel, ao Cuiabá Esporte Clube SAF
  • Guilherme Nunes, 5% dos direitos econômicos, à ATX Sports

Obs: A DF não separa a parte de terceiros. O intangível de atletas não tinha saldo no fim de 2024, e não há baixa de direitos vendidos a descontar (nota 7, p.22).

1,0(74,0%)

2.Sobrou alguma coisa da operação?

R$ milhões2025Variação
sobre 2024
Custos e despesas da operação

O gasto do ano para o clube funcionar: pessoal, jogos, viagens, administração e área comercial. Não entram juros, depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para processos.

2025, em R$ milhões:

  • Gasto com pessoal: 16,8 (nota 17, p.30)
  • Demais custos e despesas: 26,4 (nota 17, p.30)
    Despesas com jogos7,7
    Serviços prestados por terceiros6,1
    Pessoal do clube social4,3
    Despesas com atletas, que a DF não abre4,2
    Outras despesas gerais e administrativas2,2
    Despesas tributárias1,5
    Despesas com materiais1,1
    Outras receitas operacionais, que a DF não descreve(0,7)

Obs: O gasto com pessoal desta conta é o do futebol: os 4.273 pagos ao pessoal do clube social estão nos demais custos. As despesas com atletas, de 4.161, a DF não abre.

43,2+182,8%
EBITDA

O resultado da operação no ano, antes de juros, impostos sobre o resultado, depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para processos. Não entram receitas financeiras nem o que aconteceu fora da operação.

2025, em R$ milhões:

Déficit operacional antes do resultado financeiro(17,8)demonstração do resultado, p.8
Depreciações e amortizações+5,0nota 17, p.30; fluxo de caixa, p.11
Doações lançadas como receita−0,7nota 16, p.29
Ressarcimentos lançados como receita−< 0,1nota 16, p.29
EBITDA=(13,5)

Obs: A demonstração do resultado não tem linha de provisão para riscos judiciais, e por isso nada é devolvido à operação: a provisão subiu 27.371 no ano sem que a DF diga em que linha do resultado o valor foi lançado (nota 14, p.28; fluxo de caixa, p.11). Ficam fora as doações (702) e os ressarcimentos lançados como receita.

(13,5)(11,5) em R$ mi
EBITDA recorrente

O EBITDA sem a receita com negociação de atletas. Mostra o que a operação do dia a dia gera, ou consome, sem vender jogador.

2025, em R$ milhões:

Receita recorrente30,1nota 16, p.28–29
Deduções da receita−1,4nota 16, p.29
Custos e despesas da operação−43,2nota 17, p.30
EBITDA recorrente=(14,5)
(14,5)(8,8) em R$ mi
EBIT

O EBITDA depois de descontar o custo dos atletas contratados, dividido pelos anos de contrato, o desgaste de estádio, CT e equipamentos, e as provisões para processos.

2025, em R$ milhões:

EBITDA(13,5)
Depreciações e amortizações−5,0nota 17, p.30
EBIT=(18,5)
(18,5)(12,4) em R$ mi
Resultado do exercício

O que sobrou, ou faltou, no fim do ano, depois de todas as receitas e despesas, inclusive juros e o que aconteceu fora da operação. Nas associações, superávit ou déficit; nas SAFs, lucro ou prejuízo.

2025, em R$ milhões:

Receita operacional líquida30,4demonstração do resultado, p.8; nota 16, p.28–29
Despesas com pessoal
Categoria profissional(10,5)
Encargos sociais e provisões de férias e 13º(5,7)
Clube social(4,3)
Categoria de base(0,6)
−21,1demonstração do resultado, p.8; nota 17, p.30
Despesas gerais e administrativas
Despesas com jogos(7,7)
Serviços prestados por terceiros(6,1)
Depreciações e amortizações(5,0)
Despesas com atletas(4,2)
Outras despesas gerais e administrativas(2,2)
Despesas tributárias(1,5)
Despesas com materiais(1,1)
−27,8demonstração do resultado, p.8; nota 17, p.30
Outras receitas operacionais, que a DF não descreve+0,7demonstração do resultado, p.8; nota 17, p.30
Resultado financeiro
Despesas financeiras(0,7)
Receitas financeiras< 0,1
−0,7demonstração do resultado, p.8; nota 18, p.31
Resultado do exercício=(18,5)
(18,5)(15,7) em R$ mi

3.Quanto o clube deve, e quanto tem em caixa?

R$ milhões2025Variação
sobre 2024
Dívida líquida

Tudo o que o clube deve, menos o dinheiro em caixa: bancos, outros clubes e agentes, fornecedores, fisco, elenco e impostos parcelados, e o dinheiro já recebido por jogos, marca ou atletas que o clube ainda vai entregar. Não desconta o que o clube tem a receber por venda de atletas.

2025, em R$ milhões:

Dívidas onerosas18,0balanço, p.7; notas 11 e 12, p.25
Dívidas operacionais+20,3balanço, p.7; notas 9 a 11, p.23–25
Impostos parcelados e acordos+37,0balanço, p.7; notas 9, 10 e 13, p.23–26
Disponibilidades−0,4nota 4, p.19
Dívida líquida=74,9

Obs: A provisão para riscos judiciais, de 246.939, fica fora da dívida, como as provisões para contingências de todos os clubes: a nota 14 a descreve como provisão para processos trabalhistas, cíveis e tributários. A demonstração não traz linha de dívida com os credores da recuperação judicial, e o passivo do plano não aparece em rubrica separada do balanço (nota 22, p.32–33). Em 2025 as dívidas ativas tributária e previdenciária caíram e a provisão subiu, sem que a DF declare relação entre as duas (notas 9, 10 e 14). A Equity considera o passivo subavaliado em 7.770 nos fornecedores e empréstimos e em 2.268 nos direitos de imagem, e a resposta da federação estadual à circularização aponta 6.909 a mais do que o saldo registrado (p.4).

74,9(14,7%)
Caixa e equivalentes

Dinheiro disponível de imediato: saldo em conta e aplicações de resgate rápido. Não entram caixa restrito, vinculado a projetos, nem títulos de prazo mais longo.

2025, em R$ milhões:

  • Bancos conta movimento: 0,3 (nota 4, p.19)
  • Caixa: 0,1 (nota 4, p.19)
  • Aplicações financeiras: < 0,1 (nota 4, p.19)

Obs: A operação consumiu 2.018 no ano e o clube aplicou 1.350 em direitos de atletas e 16 em imobilizado; o caixa do balanço caiu 21 porque entraram 5.963 de empréstimos, com 2.600 pagos no mesmo exercício (fluxo de caixa, p.11). Os saldos bloqueados judicialmente, que a nota 4 registra dentro de caixa e equivalentes e que só se movimentam por determinação judicial, ficam fora: com eles, o caixa do balanço é 636, e o bloqueio passou de 127 para 275 no ano.

0,4(31,9%)
Capital de giro líquido

O que o clube tem para receber ou transformar em dinheiro nos próximos doze meses, menos o que precisa pagar no mesmo prazo. Positivo, há mais a receber do que a pagar no ano; negativo, o clube começa o ano com mais contas a pagar do que recursos de curto prazo.

2025, em R$ milhões:

Ativo circulante: o que vira dinheiro em até doze meses
Contas a receber1,2
Caixa e equivalentes, como o balanço apresenta0,6
Adiantamentos< 0,1
Tributos a recuperar< 0,1
1,8balanço, p.7
Passivo circulante: o que vence em até doze meses
Salários, encargos e rescisões(13,3)
Federação Pernambucana de Futebol(4,2)
Acordos extrajudiciais(4,1)
Impostos do ano e Profut com o Banco Central(1,4)
Empréstimos(1,1)
Aquisição de direitos de atletas(0,9)
Fornecedores(0,6)
−25,6balanço, p.7
Capital de giro líquido=(23,8)

Obs: Nas contas a receber de 1.146 estão 1.000 do Cruzeiro, pela transferência de Raniel, e 120 do Cuiabá, pela venda de David Miguel (nota 5, p.19). A Equity aponta que o saldo a pagar à federação estadual, no passivo circulante, é 6.909 menor que a resposta da federação à circularização (p.4).

(23,8)(9,2) em R$ mi
Patrimônio líquido

A diferença entre tudo o que o clube tem e tudo o que deve, direto do balanço. Negativo, o clube deve mais do que tem. Pode variar por ajustes fora do resultado, como mudança de norma contábil.

2025, em R$ milhões:

Ajuste de avaliação patrimonial219,6balanço, p.7; nota 15, p.28
Déficits acumulados−318,5balanço, p.7; mutações do passivo a descoberto, p.10
Patrimônio líquido=(98,9)

Obs: O passivo a descoberto cresceu 18.470 no ano, o valor do déficit do exercício; a realização do custo atribuído moveu 4.489 do ajuste de avaliação patrimonial para os déficits acumulados, sem efeito no total (mutações do passivo a descoberto, p.10). A Equity considera o patrimônio subavaliado em 2.548, pelo valor a receber do Cruzeiro, e superavaliado em 2.268, pelos direitos de imagem a pagar (p.3–4).

(98,9)(18,5) em R$ mi
Perfil da dívida em 2025

De que a dívida é feita, parcela a parcela: quanto é com bancos, quanto é com outros clubes, agentes e fornecedores, quanto é imposto parcelado, e o caixa descontado para chegar à dívida líquida.

Dívida bruta de R$ 75,3 mi.

  • Dívidas onerosas: 18,0 (23,9%)
    Empréstimos de pessoas físicas12,316,4%
    Empréstimos de pessoas jurídicas3,74,9%
    Empréstimos do curto prazo1,11,4%
    Arrendamento a pagar0,91,2%
  • Dívidas operacionais: 20,3 (26,9%)
    Salários, encargos e rescisões13,417,7%
    Federação Pernambucana de Futebol4,25,6%
    Impostos do ano1,21,6%
    Aquisição de direitos de atletas0,91,3%
    Fornecedores0,60,7%
  • Impostos parcelados e acordos: 37,0 (49,2%)
    IPTU em dívida ativa16,421,8%
    Dívida ativa previdenciária e de FGTS10,313,7%
    Multas ao Banco Central4,35,6%
    Acordos extrajudiciais4,15,5%
    Dívida ativa tributária1,72,3%
    Profut com o Banco Central0,20,3%

Valores em R$ milhões.

Evolução da dívida bruta
20242025
Dívidas onerosas14,718,0
Dívidas operacionais15,220,3
Impostos parcelados e acordos58,437,0
Dívida bruta88,375,3

Saldos em 31/12 de cada ano, em R$ milhões.

Quanto vence em até doze meses, em R$ milhões:

  • Dívidas onerosas1,1 até 12 meses · 16,9 depois
  • Dívidas operacionais20,3 até 12 meses · 0,0 depois
  • Impostos parcelados e acordos4,3 até 12 meses · 32,7 depois
  • Dívida bruta25,7 até 12 meses · 49,6 depois

Vence em até 12 meses Vence depois de 12 meses

ComposiçãoSaldo em 31/12/2025, R$ miEvidência
Dívidas onerosas

O que o clube deve a bancos e a outros credores financeiros: empréstimos, financiamentos, debêntures e adiantamentos de recebíveis. Geram juros contratados.

Empréstimos de pessoas físicas

Empréstimos de terceiros que, segundo a nota, não exigem garantia nem cobram juros e multa; a DF não nomeia os credores. Todo o saldo vence depois de doze meses.

12,3balanço, p.7; nota 12, p.25
Empréstimos de pessoas jurídicas

Empréstimos de terceiros nas mesmas condições da nota: sem garantia, juros nem multa, e sem credor nomeado. Todo o saldo vence depois de doze meses.

3,7balanço, p.7; nota 12, p.25
Empréstimos do curto prazo

Linha nova de 2025, sem nota explicativa: a DF não informa credor, taxa nem prazo. O fluxo de caixa registra captações e pagamentos além dos que a nota 12 movimenta, e a diferença é este saldo. Tudo vence em até doze meses.

1,1balanço, p.7; fluxo de caixa, p.11
Arrendamento a pagar

Contrato de arrendamento do centro de treinamento Ninho das Cobras, da Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz (nota 8). O saldo é o mesmo desde 01/01/2023 e, em 2025, todo vence depois de doze meses. Entra inteiro nas onerosas, como o arrendamento de todos os clubes.

0,9balanço, p.7; nota 11, p.25; nota 8, p.23
Subtotal18,0
Dívidas operacionais

O que o clube deve por operar: compra de atletas a outros clubes e agentes, fornecedores, salários e encargos, impostos correntes, direitos de imagem e o dinheiro já recebido por algo que o clube ainda vai entregar: TV, patrocínio, sócio-torcedor, camarotes e atletas vendidos.

Salários, encargos e rescisões

INSS e impostos retidos 3.490, rescisões 2.950, salários 2.263, provisão de férias e encargos 1.935, FGTS 1.674, 13º 820, férias 202 e pensão. A DF não traz saldo de direitos de imagem a pagar, e a Equity considera essa obrigação subavaliada em 2.268 (p.4). Tudo vence em até doze meses.

13,4balanço, p.7; nota 10, p.24
Federação Pernambucana de Futebol

Saldo a pagar à federação estadual. É o objeto de uma das ressalvas do auditor: a resposta da federação à carta de circularização aponta R$ 6.909.122 a mais do que o registrado, sem conciliação apresentada. Tudo vence em até doze meses.

4,2balanço, p.7; nota 11, p.25
Impostos do ano

IPTU 1.209, IPVA e PIS, COFINS e CSLL retidos. Tudo vence em até doze meses.

1,2balanço, p.7; nota 9, p.23
Aquisição de direitos de atletas

Parcela a pagar pela aquisição de direitos econômicos de atletas; linha nova de 2025. Tudo vence em até doze meses.

0,9balanço, p.7; nota 11, p.25
Fornecedores

Sem nota explicativa. A Equity considera fornecedores e empréstimos subavaliados em 7.770 (p.4). Tudo vence em até doze meses.

0,6balanço, p.7
Subtotal20,3
Impostos parcelados e acordos

Impostos atrasados renegociados em parcelas, como o Profut, e dívidas antigas que o clube acertou em acordo, como processos trabalhistas e recuperação judicial, pagas ao longo de vários anos.

IPTU em dívida ativa

Imposto predial dos exercícios de 2017 a 2024, inscrito em dívida ativa pela Prefeitura do Recife. A DF não informa parcelamento, taxa nem prazo. Todo o saldo está no longo prazo.

16,4balanço, p.7; nota 9 (b), p.23–24
Dívida ativa previdenciária e de FGTS

Dívida ativa previdenciária, de FGTS e não tributária, no longo prazo; era 18.562 em 2024. A DF não informa parcelamento, taxa nem prazo, nem o motivo da queda. Todo o saldo está no longo prazo.

10,3balanço, p.7; nota 10 (b), p.24–25
Multas ao Banco Central

Parcelamento de multa do Banco Central por venda de atleta ao exterior, rescindido por inadimplência; o saldo foi atualizado em 194 no ano. Todo o saldo está no longo prazo.

4,3balanço, p.7; nota 13, p.25–26
Acordos extrajudiciais

Sem nota explicativa nesta DF; a de 2024 os descreve como verbas rescisórias e valores devidos a ex-funcionários e atletas. Era 641 em 2024. Tudo vence em até doze meses.

4,1balanço, p.7
Dívida ativa tributária

Saldo que a nota diz ter sido atualizado em 2025 conforme relatório fiscal da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; era 23.488 em 2024. A DF não informa parcelamento, taxa nem prazo. Todo o saldo está no longo prazo.

1,7balanço, p.7; nota 9 (c), p.24
Profut com o Banco Central

Linha nova de 2025, sem descrição na nota. Tudo vence em até doze meses.

0,2balanço, p.7; nota 9, p.23
Subtotal37,0
Dívida bruta75,3
(−) Disponibilidades

Caixa e aplicações de resgate rápido, descontados da dívida bruta para chegar à dívida líquida.

Caixa, bancos conta movimento e aplicações financeiras, sem os saldos bloqueados judicialmente que a nota 4 registra dentro de caixa e equivalentes.

(0,4)nota 4, p.19
Dívida líquida74,9

Fora da dívida bruta: Provisão para riscos judiciais, que reúne processos trabalhistas, cíveis e tributários, R$ 246,9 mi (balanço, p.7; nota 14, p.26–28).

Não descontado da dívida, por ser valor a receber: R$ 2,9 mi, sendo R$ 1,1 mi em até doze meses; a venda de atletas responde por R$ 2,8 mi (nota 5, p.19).

4.Quanto vai para quem trabalha no futebol?

R$ milhões2025Variação
sobre 2024
Gasto com pessoal

O que o clube gastou no ano com quem trabalha no futebol, atletas, comissão técnica, base e feminino: salários, encargos, benefícios, direito de imagem, direito de arena, luvas e premiações. Não entra a amortização dos contratos. Administrativo, clube social e outros esportes ficam fora; quando a demonstração não os separa, o número é do clube inteiro e leva asterisco.

2025, em R$ milhões:

  • Categoria profissional: 10,5 (nota 17, p.30)
  • Encargos sociais e provisões de férias e 13º: 5,7 (nota 17, p.30)
  • Categoria de base: 0,6 (nota 17, p.30)

* Obs: A DF não separa o pessoal administrativo, e os encargos sociais e as provisões de férias e 13º não são rateados por segmento: incluem a parte do clube social. Fica fora o pessoal do clube social (4.273), que a DF separa. A linha de despesas com atletas, de 4.161, fica nos custos: a DF não a abre nem a nomeia como pessoal. Não há linha de direito de imagem, de direito de arena nem de premiações em peça nenhuma.

16,8*+195,2%
Gasto com pessoal sobre receita recorrente

Quanto da receita recorrente vai para pagar o pessoal do futebol. Não se compara ao limite do SSF, que tem definições próprias e vale a partir de 2026.

2025, em R$ milhões:

Gasto com pessoal16,8nota 17, p.30
Receita recorrente÷30,1nota 16, p.28–29
Gasto com pessoal sobre receita recorrente=56,0%

* Obs: O gasto com pessoal não separa o pessoal administrativo nem a parte do clube social nos encargos e provisões, e não inclui a linha de despesas com atletas, que a DF não abre.

56,0%*(1,5 p.p.)
Referência do SSF

O limite que o regulador fixa para o custo com elenco em relação à receita do clube, calculada pelas regras do SSF. Vale a partir do exercício de 2026 e não se aplica aos anos anteriores.

Na Série C o SSF cobra apenas a solvência e a publicação das demonstrações.

Vale a partir do exercício de 2026

5.O que o auditor disse?

O que é o parecer do auditor

A opinião de uma empresa de auditoria independente sobre se as demonstrações financeiras representam adequadamente a situação do clube, segundo as normas contábeis.

Opinião: Com ressalva

O auditor encontrou um ou mais pontos que não pôde confirmar ou com os quais discorda, mas que não invalidam o conjunto das demonstrações.

No parecer de 2025: “Em nossa opinião, exceto pelos possíveis efeitos e efeitos dos assuntos descritos na seção a seguir intitulada ‘Base para opinião com ressalvas’, as demonstrações contábeis acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Santa Cruz Futebol Clube – Em Recuperação Judicial, em 31 de dezembro de 2025, o desempenho de sua operação e os seus fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.” (p.3).

O auditor lista 10 motivos, nas p.3 a 4 do relatório.

Ver os 10 motivos
  1. “Não recebemos, até a data de emissão deste relatório, as respostas às solicitações de confirmação externa encaminhadas às instituições financeiras: Itaú e Stone” (p.3)
  2. “Há divergência entre os registros contábeis e os controles financeiros mantidos pelo Clube relativamente aos valores a receber do Cruzeiro…” (p.3)
  3. “A depreciação do ativo imobilizado não vem sendo calculada com base na vida útil econômica efetiva dos bens…” (p.3)
  4. “Os saldos de Fornecedores e Empréstimos se encontravam contabilizados por valores inferiores aos efetivamente devidos…” (p.4)
  5. “O saldo contábil a pagar a FPF – Federação Pernambucana de Futebol…” (p.4)
  6. “Há divergência entre os saldos de empréstimos a terceiros confirmados por meio de circularização recebida e os respectivos registros contábeis do Clube” (p.4)
  7. “Algumas ações são necessárias para atualizar o passivo do Clube…” (p.4)
  8. “Não nos foi disponibilizada documentação comprobatória fiscal hábil suficiente para suportar despesas…” (p.4)
  9. “As obrigações relativas a direitos de imagem se encontravam contabilizadas por montante inferior ao efetivamente devido…” (p.4)
  10. “Para o exercício findo em 31 de dezembro de 2025, o Clube não possuía um ambiente de controles internos adequado…” (p.4)

“Ênfase” (p.4)

“Chamamos atenção para a Nota explicativa nº 1 às demonstrações contábeis, que indica que o Clube apresenta déficit de R$ 18.430.305 no exercício findo em 31 de dezembro de 2025, e os Passivos totais de R$ 322.210.437, excedendo os ativos circulantes e realizáveis a longo prazo em R$ 318.666.438 e estava pendente de cumprimento de várias obrigações, principalmente de natureza tributária e previdenciária. Devido a isso, tem-se a necessidade de obtenções relevantes de recursos no curto prazo para possibilitar a manutenção de suas atividades. As medidas que estão sendo avaliadas e desenvolvidas pela Administração para o reestabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro e da posição patrimonial do Clube, bem como da necessária geração de caixa para funcionamento das respectivas atividades, estão desenvolvidas na Nota Explicativa nº 1 e 22. A continuidade das atividades do Clube dependerá do sucesso das ações que estão sendo tomadas pela Administração e, portanto, suas demonstrações contábeis foram preparadas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, aplicáveis a um Clube em continuidade normal, e não incluem nenhuma modificação contábil, que seriam requeridos na impossibilidade do Clube continuar exercendo suas atividades.”

Ver o texto completo

“Não recebemos, até a data de emissão deste relatório, as respostas às solicitações de confirmação externa encaminhadas às instituições financeiras: Itaú e Stone” (p.3)

“Não recebemos, até a data de emissão deste relatório, as respostas às solicitações de confirmação externa encaminhadas às instituições financeiras: Itaú e Stone. Dessa forma, não foi possível obter evidência apropriada e suficiente adicional, por meio de confirmação direta dessas entidades, acerca dos saldos e operações mantidos na data base examinada.”

“Há divergência entre os registros contábeis e os controles financeiros mantidos pelo Clube relativamente aos valores a receber do Cruzeiro…” (p.3)

“Há divergência entre os registros contábeis e os controles financeiros mantidos pelo Clube relativamente aos valores a receber do Cruzeiro, resultando em subavaliação da conta de clientes em R$ 2.548.287 na data base examinada. Consequentemente, o ativo e o patrimônio patrimônio líquido se encontram subavaliados nesse montante.”

“A depreciação do ativo imobilizado não vem sendo calculada com base na vida útil econômica efetiva dos bens…” (p.3)

“A depreciação do ativo imobilizado não vem sendo calculada com base na vida útil econômica efetiva dos bens, conforme requerido pelas práticas contábeis adotadas no Brasil. Dessa forma, não foi possível determinar, com precisão, os efeitos que a utilização de vidas úteis distintas daquelas efetivamente esperadas para consumo dos benefícios econômicos dos ativos poderia produzir sobre os saldos do ativo imobilizado, da depreciação acumulada e do resultado do período na data base examinada.”

“Os saldos de Fornecedores e Empréstimos se encontravam contabilizados por valores inferiores aos efetivamente devidos…” (p.4)

“Os saldos de Fornecedores e Empréstimos se encontravam contabilizados por valores inferiores aos efetivamente devidos na data base examinada, resultando em subavaliação do passivo em R$ 7.769.568.”

“O saldo contábil a pagar a FPF – Federação Pernambucana de Futebol…” (p.4)

“O saldo contábil a pagar a FPF – Federação Pernambucana de Futebol, classificado como Contas a pagar – curto prazo, está a menor em R$ 6.909.122 do que a resposta da carta de circularização recebida dessa Entidade. Tendo em vista que não nos foi apresentada a conciliação dessa diferença, ficamos impossibilitados de auditar esse saldo.”

“Há divergência entre os saldos de empréstimos a terceiros confirmados por meio de circularização recebida e os respectivos registros contábeis do Clube” (p.4)

“Há divergência entre os saldos de empréstimos a terceiros confirmados por meio de circularização recebida e os respectivos registros contábeis do Clube. As confirmações recebidas indicaram saldo inferior ao registrado contabilmente em R$ 1.870.838. Em razão da ausência de documentação e esclarecimentos suficientes que permitissem reconciliar a diferença identificada até a data de emissão deste relatório, não foi possível concluir sobre a adequação desse montante e sobre os eventuais efeitos que ajustes decorrentes dessa divergência poderiam produzir nas demonstrações contábeis examinadas.”

“Algumas ações são necessárias para atualizar o passivo do Clube…” (p.4)

“Algumas ações são necessárias para atualizar o passivo do Clube, como conciliar os saldos com as posições dos órgãos de fiscalização, mensurar e contabilizar a atualização monetária de juros de mora e multa, incidentes sobre os valores apresentados. Devido a isso, ficamos impossibilitados de efetuar procedimentos de auditoria sobre esse fato.”

“Não nos foi disponibilizada documentação comprobatória fiscal hábil suficiente para suportar despesas…” (p.4)

“Não nos foi disponibilizada documentação comprobatória fiscal hábil suficiente para suportar despesas correspondentes a aproximadamente 26% (R$ 727.105) da amostragem selecionada e ao saldo de R$ 2.779.857, decorrente de Prêmios e gratificações para exame. Em razão dessa limitação no acesso às evidências, não foi possível obter segurança razoável quanto à ocorrência, exatidão e adequação do reconhecimento dessas despesas, nem determinar se seriam necessários ajustes ou divulgações adicionais relacionadas aos valores registrados na data base examinada.”

“As obrigações relativas a direitos de imagem se encontravam contabilizadas por montante inferior ao efetivamente devido…” (p.4)

“As obrigações relativas a direitos de imagem se encontravam contabilizadas por montante inferior ao efetivamente devido na data base examinada, resultando em subavaliação do passivo em R$ 2.268.451. Consequentemente, o patrimônio social/patrimônio líquido e o resultado acumulado encontram-se superavaliados nesse montante, desconsiderados os eventuais efeitos tributários aplicáveis.”

“Para o exercício findo em 31 de dezembro de 2025, o Clube não possuía um ambiente de controles internos adequado…” (p.4)

“Para o exercício findo em 31 de dezembro de 2025, o Clube não possuía um ambiente de controles internos adequado, como a centralização de todas suas operações em um sistema, políticas de alçadas e procedimentos formalizados uniformes para os seus processos transacionais. Consequentemente, nossos exames podem não ter detectado eventuais distorções não citadas nos parágrafos anteriores.”

Abrir no relatório (p.3)

Parágrafos de ênfase: 1

Trecho em que o auditor chama a atenção para um assunto já divulgado nas demonstrações, sem modificar a opinião. Ênfase não é ressalva.

  • Ênfase: “Chamamos atenção para a Nota explicativa nº 1 às demonstrações contábeis, que indica que o Clube apresenta déficit de R$ 18.430.305 no exercício findo em 31 de dezembro de 2025, e os Passivos totais de R$ 322.210.437, excedendo os ativos circulantes e realizáveis a longo prazo em R$ 318.666.438 e estava pendente de cumprimento de várias obrigações, principalmente de natureza tributária e previdenciária. Devido a isso, tem-se a necessidade de obtenções relevantes de recursos no curto prazo para possibilitar a manutenção de suas atividades. As medidas que estão sendo avaliadas e desenvolvidas pela Administração para o reestabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro e da posição patrimonial do Clube, bem como da necessária geração de caixa para funcionamento das respectivas atividades, estão desenvolvidas na Nota Explicativa nº 1 e 22. A continuidade das atividades do Clube dependerá do sucesso das ações que estão sendo tomadas pela Administração e, portanto, suas demonstrações contábeis foram preparadas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, aplicáveis a um Clube em continuidade normal, e não incluem nenhuma modificação contábil, que seriam requeridos na impossibilidade do Clube continuar exercendo suas atividades.” (p.4–5).
Conselho fiscal: parecer de 29/07/2026

Opina pela aprovação das contas da Diretoria Executiva relativas ao exercício de 2025, com ressalvas.

Fontes

Todo número desta página vem exclusivamente das demonstrações financeiras publicadas pelo próprio clube no portal de transparência dele: https://santacruzpe.com.br/clube/transparencia. As demonstrações são as de Santa Cruz Futebol Clube – em recuperação judicial.

Documento de 2025

  • Santa Cruz Futebol Clube – em recuperação judicial – Demonstrações contábeis em 31 de dezembro de 2025 e relatório do auditor independente · Página do portal
    Detalhes do arquivo

    Santa Cruz Futebol Clube. Publicado em 30/07/2026. Arquivo de 37 páginas: capa (p.1), índice (p.2), relatório do auditor independente (p.3–6), balanço patrimonial (p.7), demonstração do resultado (p.8), demonstração do resultado abrangente (p.9), mutações do passivo a descoberto (p.10), fluxos de caixa (p.11), notas explicativas 1 a 23 (p.12–33), com as assinaturas da administração na p.33, e o relatório e parecer da Comissão Fiscal (p.34–37), digitalizados. Não há relatório da administração. Páginas: As evidências citam a página do arquivo. O número impresso na folha é dois a menos: o balanço está na p.7 e traz impresso 5; a Comissão Fiscal tem numeração própria, de 1 a 4.

Norma contábil: Práticas contábeis adotadas no Brasil, incluindo os pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis e as resoluções do Conselho Federal de Contabilidade para entidades desportivas, a ITG 2003 (R2), e sem fins lucrativos, a ITG 2002 (R1) (nota 2). Escala do documento: reais.

O meutime.net não avalia a gestão de nenhum clube. Reúne o que o próprio clube publicou, organizado pela mesma regra para todos, para que o torcedor leia os números com clareza e transparência.