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Vasco

Club de Regatas Vasco da Gama · SAF · DF de 2024 publicada em 30/06/2025 · auditoria: BDO RCS Auditores Independentes SS Ltda.

1.Quanto o clube arrecadou?

R$ milhões2024
Receita total

Tudo o que o clube arrecadou com a operação no ano: as receitas do dia a dia mais a negociação de atletas. Não entram receitas financeiras, ganhos em ações judiciais, perdão de dívida, reavaliação de ativos e contratos de longo prazo reconhecidos de uma só vez.

2024, em R$ milhões:

  • Receita recorrente: 303,9 (nota 26, p.76)
  • Receita com negociação de atletas: 170,3 (nota 29, p.77)
474,2
Receita recorrente

O que o clube arrecada todo ano com a operação, sem contar a venda de atletas: transmissão, premiações, bilheteria, sócio-torcedor, patrocínio e publicidade. Recorrente não é fixa, pois oscila com o desempenho em campo.

2024, em R$ milhões e em porcentagem da receita recorrente:

  • Direitos de transmissão: 95,1 (31,3%)
  • Programa sócio-torcedor: 53,6 (17,6%)
  • Marketing: 53,0 (17,4%)
  • Receitas com premiação: 51,7 (17,0%)
  • Bilheteria: 34,2 (11,3%)
  • Licenciamento, Tour da Colina e receitas diversas: 16,3 (5,4%)
    Receitas diversas7,72,5%
    Licenciamento e royalties6,92,3%
    Tour da Colina1,70,6%

Fonte: nota 26, p.76 do documento.

Obs: A DF de 2025 reabre a coluna de 2024 com o Tour da Colina (1.723) dentro das receitas diversas (9.371), sem mudar o total.

303,9
Receita com negociação de atletas

O que entrou com venda e empréstimo de atletas, incluindo o mecanismo de solidariedade. Varia muito de um ano para o outro. A memória de cálculo mostra o que foi descontado da venda.

2024, em R$ milhões:

Receita com transação de atletas, bruta170,3nota 29, p.77
Receita com negociação de atletas=170,3

A relação de atletas não foi divulgada.

170,3

2.Sobrou alguma coisa da operação?

R$ milhões2024
Custos e despesas da operação

O gasto do ano para manter o clube funcionando: pessoal, jogos, viagens e despesas administrativas e comerciais. Não entram depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para contingências, nem juros.

2024, em R$ milhões:

  • Gasto com pessoal: 213,4 (nota 27, p.76)
    Salários, encargos e benefícios155,8
    Direito de imagem57,6
  • Demais custos e despesas: 189,8 (notas 27 a 29, p.76–77; nota 28 da DF de 2025, p.94; DFC, p.29)
    Outras despesas com negociação de atletas71,6
    Jogos e competições38,3
    Serviços profissionais26,7
    Salários do administrativo23,2
    Manutenção e material esportivo15,1
    Despesas operacionais e de estruturação13,0
    Outros custos e despesas, sem as reversões da Matix Capital e da conta com o CRVG2,6
    Outras receitas operacionais sem descrição(0,7)
403,2
EBITDA

O resultado da operação no ano, antes de juros, impostos sobre o resultado, depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para contingências. Não entram receitas financeiras nem o que aconteceu fora da operação.

2024, em R$ milhões:

Resultado operacional(56,6)DRE, p.26
Reversão da despesa de 2023 com a Matix Capital−15,3nota 28, p.77
Redução da reserva de perda sobre a conta a receber do CRVG−1,8nota 13, p.64–65; DFC, p.29
Amortização dos contratos de atletas+91,9nota 27, p.76
Baixa contábil dos atletas negociados+18,6nota 11, p.63; DFC, p.29
Depreciação+3,0nota 28 da DF de 2025, p.94
Provisão para contingências+9,6nota 28, p.76
EBITDA=49,4

Obs: Ficam fora dois ganhos sem entrada de dinheiro: a reversão de 15.300 de uma despesa de 2023 com a Matix Capital, que a SAF passou a cobrar da 777 (nota 28, p.77), e a redução de 1.823 da reserva de perda sobre o que a SAF tinha a receber do CRVG (nota 13, p.64–65). A DF não abre o custo com transação de atletas (74.826); só a baixa dos atletas negociados (18.567) fica fora dos custos (nota 29, p.77; DFC, p.29).

49,4
EBITDA recorrente

O EBITDA sem a receita com negociação de atletas. Mostra o que a operação do dia a dia gera, ou consome, sem vender jogador.

2024, em R$ milhões:

Receita recorrente303,9nota 26, p.76
Impostos e deduções da receita
Impostos e contribuições(13,8)
Outras deduções, sem descrição na DF(7,8)
−21,6nota 26, p.76
Custos e despesas da operação−403,2notas 27 a 29, p.76–77
EBITDA recorrente=(120,9)
(120,9)
EBIT

O resultado da operação no ano, antes de juros e impostos sobre o resultado. Ao contrário do EBITDA, desconta o custo dos atletas contratados, dividido pelos anos de contrato, o desgaste de estádio, CT e equipamentos, e as provisões para processos. Não entram receitas financeiras nem o que aconteceu fora da operação.

2024, em R$ milhões:

EBITDA49,4
Amortização dos contratos de atletas−91,9nota 27, p.76
Baixa contábil dos atletas negociados−18,6nota 11, p.63; DFC, p.29
Depreciação−3,0nota 28 da DF de 2025, p.94
Provisão para contingências−9,6nota 28, p.76
EBIT=(73,7)
(73,7)
Resultado do exercício

O que sobrou, ou faltou, no fim do ano, depois de todas as receitas e despesas, inclusive juros e o que aconteceu fora da operação. Nas associações chama-se superávit ou déficit; nas SAFs, lucro ou prejuízo.

2024, em R$ milhões:

Receita operacional líquida282,3DRE, p.26
Custos operacionais−382,1DRE, p.26; nota 27, p.76
Despesas gerais e administrativas−52,9DRE, p.26; nota 28, p.76
Outras receitas e despesas operacionais+96,1DRE, p.26; nota 29, p.77
Resultado financeiro
Despesas financeiras(75,8)
Receitas financeiras17,7
−58,1DRE, p.26; nota 30, p.77
Resultado do exercício=(114,7)

O prejuízo inclui efeitos da revisão de uma perda de 2023 que não passaram pelo caixa. Sem eles, o resultado seria um prejuízo de 130,0.

Resultado do exercício(114,7)
Despesa com a Matix revertida−15,3nota 28 (i), p.76–77
Resultado sem os efeitos sem caixa=(130,0)

Obs: A versão não auditada que o clube divulgou em 30/04/2025 trazia prejuízo de 92.119; a DF auditada, de 30/06/2025, traz 114.682.

(114,7)

3.Quanto o clube deve, e quanto tem em caixa?

R$ milhões2024
Dívida líquida

Tudo o que o clube deve, menos o dinheiro em caixa: bancos, outros clubes e agentes, fornecedores, fisco, elenco e impostos parcelados, e o dinheiro já recebido por jogos, marca ou atletas que o clube ainda vai entregar. Não desconta o que o clube tem a receber por venda de atletas. O perfil da dívida, logo abaixo, abre cada parcela.

2024, em R$ milhões:

Dívidas onerosas: empréstimos e arrendamentos13,8p.25; notas 19 e 20, p.68–69
Dívidas operacionais+485,8p.25; notas 12, 14 a 16, 18 e 21, p.64–66, p.68–70
Impostos e acordos: parcelamentos, acordos e regime centralizado de execuções+547,3p.25; notas 17, 22 e 24, p.66–67, p.70, p.72
Caixa e aplicações−28,5nota 5, p.58
Dívida líquida=1.018,4

Obs: O futebol é da SAF; em maio de 2024, por decisão judicial, a 777 Carioca, que tinha a maioria das ações, foi afastada, e a administração passou a ser indicada pelo CRVG, a associação (nota 1, p.31). A SAF assumiu as dívidas da associação até R$ 700 milhões, que estão nesta dívida; o que ficou fora é do CRVG e não entra aqui, e a SAF pagava parte dela e cobrava de volta em conta corrente (DF do CRVG de 2024, notas 1 e 15, p.24 e p.45). Ficam fora os direitos da Liga Forte Futebol (106.060), venda de parte da receita de transmissão por 50 anos, e a provisão para riscos judiciais (47.153).

1.018,4
Caixa e equivalentes

Dinheiro disponível de imediato: saldo em conta e aplicações de resgate rápido. Não entram caixa restrito, vinculado a projetos, nem títulos de prazo mais longo.

2024, em R$ milhões:

  • Caixa e equivalentes de caixa: 2,9 (nota 5, p.58)
  • Aplicações financeiras em CDB: 25,6 (nota 5, p.58)

Obs: Aplicações em CDB remuneradas a 100% do CDI (nota 5). No ano, a operação gerou 205.901, 189.422 foram para atletas e imobilizado e 67.901 para parcelamentos e empréstimos (DFC, p.29).

28,5
Capital de giro líquido

O que o clube tem para receber ou transformar em dinheiro nos próximos doze meses, menos o que precisa pagar no mesmo prazo. Positivo, há mais a receber do que a pagar no ano; negativo, o clube começa o ano com mais contas a pagar do que recursos de curto prazo.

2024, em R$ milhões:

Ativo circulante: o que vira dinheiro em até doze meses
Contas a receber de clientes127,8
Créditos com partes relacionadas30,0
Caixa, bancos e aplicações28,5
Adiantamentos a fornecedores3,2
Estoques1,1
Despesas do exercício seguinte0,7
Outros ativos0,4
Impostos a recuperar0,1
191,8df p.24
Passivo circulante: o que vence em até doze meses
Direitos de imagem e compras de atletas a pagar(198,6)
Fornecedores(58,8)
Parcelamentos fiscais, a parcela do ano(49,9)
Passivo contratual, receita recebida antes da entrega(44,6)
Regime centralizado de execuções, a parcela do ano(30,0)
Salários e encargos a pagar(27,7)
Impostos a pagar(26,2)
Acordos cíveis e trabalhistas a pagar(13,6)
Provisão para riscos judiciais(8,4)
Obrigações com entidades esportivas(8,0)
Empréstimos e financiamentos, a parcela do ano(4,3)
Arrendamentos a pagar, a parcela do ano(0,2)
−470,3df p.25
Capital de giro líquido=(278,5)

Obs: No passivo circulante, 30.001 são a parcela do ano do regime centralizado de execuções (nota 22). O relatório do auditor cita passivo circulante superior ao ativo circulante em 278.516 (p.20).

(278,5)
Patrimônio líquido

A diferença entre tudo o que o clube tem e tudo o que deve, direto do balanço. Quando é negativo, as obrigações superam os bens e direitos registrados. Pode variar por ajustes que não passam pelo resultado, como mudança de norma contábil.

2024, em R$ milhões:

Capital social subscrito640,0p.25; DMPL, p.28
Capital a integralizar: subscrito e ainda não pago pelos acionistas−383,4p.25; DMPL, p.28
Assunção de dívida−592,6p.25; DMPL, p.28
Reservas de capital+1,8p.25; DMPL, p.28
Custo de transação−28,0p.25; DMPL, p.28
Ajustes de avaliação patrimonial−38,1p.25; DMPL, p.28
Prejuízos acumulados−334,0p.25; DMPL, p.28
Patrimônio líquido=(734,3)

Obs: O patrimônio caiu 121.360 em 2024: o prejuízo do ano (114.682) é descontado dele, e a adoção da ITG 2003 (R2) baixou 6.678 de custos de formação de atletas direto no patrimônio (DMPL, p.28).

(734,3)
Perfil da dívida em 2024

De que a dívida é feita, parcela a parcela: quanto é com bancos, quanto é com outros clubes, agentes e fornecedores, quanto é imposto parcelado, e o caixa descontado para chegar à dívida líquida.

Dívida bruta de R$ 1.046,9.

  • Dívidas onerosas: 13,8 (1,3%)
    Empréstimos e receitas antecipadas4,30,4%
    Arrendamentos: estádio, CT e escritório9,50,9%
  • Dívidas operacionais: 485,8 (46,4%)
    Fornecedores147,814,1%
    Salários, encargos e férias27,72,7%
    Impostos a recolher26,22,5%
    Direitos de imagem, comissões e compras de atletas a pagar241,223,0%
    Dívidas com a federação estadual e a CBF8,00,8%
    Adiantamentos recebidos34,93,3%
  • Impostos parcelados e acordos: 547,3 (52,3%)
    Parcelamentos de impostos, FGTS, Bacen e CEDAE240,823,0%
    Acordos cíveis, trabalhistas, plano da CNRD e créditos com garantias113,010,8%
    Regime centralizado de execuções193,518,5%

Valores em R$ milhões.

Quanto vence em até doze meses, em R$ milhões:

  • Dívidas onerosas4,5 até 12 meses · 9,3 depois
  • Dívidas operacionais319,2 até 12 meses · 131,7 depois · 34,9 sem prazo
  • Impostos parcelados e acordos93,5 até 12 meses · 453,8 depois
  • Dívida bruta417,2 até 12 meses · 594,8 depois · 34,9 sem prazo

Vence em até 12 meses Vence depois de 12 meses Prazo não informado pela DF

ComposiçãoSaldo em 31/12/2024, R$ miEvidência
Dívidas onerosas

O que o clube deve a bancos e a outros credores financeiros: empréstimos, financiamentos, debêntures e adiantamentos de recebíveis. Geram juros contratados.

Empréstimos e receitas antecipadas

Banco BMG 271 e receitas de bilheteria e sócio-torcedor antecipadas sem banco 4.059. Tudo vence em até doze meses. O empréstimo do Banco OLB, de 33.300 em 2023, foi quitado.

4,3df p.25; nota 19, p.68–69
Arrendamentos: estádio, CT e escritório

Estádio de São Januário, Centro de Treinamento e escritório. 227 vencem em até doze meses e 9.275 depois.

9,5df p.25; nota 20, p.69
Subtotal13,8
Dívidas operacionais

O que o clube deve por operar: parcelas de compra de atletas a outros clubes e agentes, fornecedores, salários e encargos, impostos correntes, direitos de imagem e o dinheiro já recebido por jogos, marca ou atletas que o clube ainda vai entregar: TV, patrocínio, sócio-torcedor, camarotes e atletas vendidos que ainda não se transferiram.

Fornecedores

58.801 vencem em até doze meses e 89.046 depois. Eram 42.712 em 2023. A DF não abre fornecedores.

147,8df p.25; nota 12, p.64
Salários, encargos e férias

Salários e remunerações 7.302, encargos sociais 15.211, provisão de férias 4.617 e outras obrigações com pessoal 554. Tudo vence em até doze meses.

27,7df p.25; nota 14, p.65
Impostos a recolher

Tributação específica do futebol (TEF) 7.844, obrigações fiscais do acordo de acionistas 15.814 e outros 2.518. Tudo vence em até doze meses.

26,2df p.25; nota 15, p.65
Direitos de imagem, comissões e compras de atletas a pagar

Direito de imagem 21.223, comissões de agentes 45.655 e transações com clubes 174.329, das contratações de 2023 e 2024. 198.541 vencem em até doze meses e 42.666 depois.

241,2df p.25; nota 16, p.66
Dívidas com a federação estadual e a CBF

FERJ 7.148, por despesas de jogos pagas pela federação, sem juros (4.179 assumidos no acordo de acionistas), e CBF 845, saldo de antecipações e empréstimos negociados pelo CRVG entre 2013 e 2021. Tudo vence em até doze meses.

8,0df p.25; nota 18, p.68
Adiantamentos recebidos

Passivo contratual recebido antes do serviço: licenciamento de marcas e patrocínio 29.153 e luvas de TV 5.727, recebidas em 2016 com a proposta comercial do Grupo Globo para o Campeonato Brasileiro de 2019 a 2024 e assumidas pela SAF na constituição; a DF não explica o saldo que resta depois da temporada de 2024. A DF não separa as linhas por prazo: separa só o passivo contratual inteiro, 44.634 em até doze meses e 106.641 depois, que inclui os direitos da Liga Forte Futebol, fora da dívida.

34,9nota 21, p.69–70; política de receitas, p.43
Subtotal485,8
Impostos parcelados e acordos

Impostos atrasados renegociados em parcelas, como o Profut, e dívidas antigas que o clube acertou em acordo, como processos trabalhistas e recuperação judicial, pagas ao longo de vários anos.

Parcelamentos de impostos, FGTS, Bacen e CEDAE

Parcelamentos fiscais e previdenciários na PGFN e na Receita Federal 234.894 (não previdenciário 134.233, FGTS 51.153, previdenciário 42.955, Bacen 5.594 e contribuição social 960) e parcelamento com a CEDAE 5.894, de débitos de 2015 a 2021. 49.868 vencem em até doze meses e 190.920 depois: 42.718 em 2026, 33.454 em 2027, 34.863 em 2028, 36.022 em 2029 e 43.863 de 2030 a 2035. Passivo fiscal do CRVG assumido pela SAF no acordo de investimento.

240,8df p.25; nota 17, p.66–68
Acordos cíveis, trabalhistas, plano da CNRD e créditos com garantias

Acordos extrajudiciais cíveis 26.714 e trabalhistas 1.583, plano de pagamento na CNRD 48.332, reestruturação financeira 3.321 (acordos da mediação do fim de 2024) e créditos com garantias reais 33.002, com partes relacionadas e outros credores. 13.601 vencem em até doze meses e 99.351 depois.

113,0df p.25; nota 24, p.72
Regime centralizado de execuções

Execuções cíveis 98.771 e trabalhistas 94.769, pagas com 20% da receita corrente líquida mensal (75% ao TRT e 25% ao TJRJ). 30.001 vencem em até doze meses e 163.539 depois. Os créditos foram atraídos para a recuperação judicial em 2025.

193,5df p.25; nota 22, p.70–71
Subtotal547,3
Dívida bruta1.046,9
(−) Disponibilidades

Caixa e aplicações financeiras de resgate rápido, deduzidos da dívida bruta para chegar à dívida líquida.

Caixa e equivalentes (2.917) + aplicações financeiras em CDB (25.587).

(28,5)df p.24; nota 5, p.58
Dívida líquida1.018,4

Fora da dívida bruta: Direitos da Liga Forte Futebol: 20% das receitas de transmissão de 2025 a 2074 vendidos por R$ 212,1 mi brutos, com recompra de 10% em dezembro de 2024, R$ 106,1 mi (nota 21, p.69–70); Outros passivos contratuais, sem natureza informada, R$ 10,3 mi (nota 21, p.69); Provisão para riscos judiciais: contingências da CNRD da CBF 37.655, trabalhistas 7.765 e cíveis 1.733, R$ 47,2 mi (df p.25; nota 23, p.71).

Não descontado da dívida, por ser valor a receber: contas a receber de 127.836 no circulante e 469 no não circulante. A DF abre por natureza: 34.152 de direitos econômicos e 3.287 de mecanismo de solidariedade vêm da venda de atletas, sem separar quanto vence em até doze meses; 55.565 são o saldo do contrato com a Sports Media Participações (nota 6, p.58).

4.Quanto vai para quem trabalha no futebol?

R$ milhões2024
Gasto com pessoal

O que o clube gastou no ano com quem trabalha no futebol, atletas, comissão técnica, base e feminino: salários, encargos, benefícios, direito de imagem, direito de arena, luvas e premiações. Não entra a amortização dos contratos. Administrativo, clube social e outros esportes ficam fora quando a demonstração os separa; quando não separa, o número é do pessoal do clube inteiro e leva um asterisco, explicado na observação. Onde a demonstração separa os segmentos do futebol, a explicação mostra quanto é de cada um.

2024, em R$ milhões:

  • Salários, encargos e benefícios dos custos operacionais: 155,8 (nota 27, p.76)
  • Direito de imagem: 57,6 (nota 27, p.76)

Obs: Os salários das despesas gerais e administrativas (23.162) ficam fora (nota 28, p.76). A DF não abre direito de arena nem prêmios de atletas em linha própria.

213,4
Gasto com pessoal sobre receita recorrente

Quanto da receita recorrente vai para pagar o pessoal do futebol: gasto com pessoal dividido pela receita recorrente. Não se compara ao limite do SSF, que tem definições próprias e vale a partir de 2026.

2024, em R$ milhões:

Gasto com pessoal213,4nota 27, p.76
Receita recorrente÷303,9nota 26, p.76
Gasto com pessoal sobre receita recorrente=70,2%
70,2%
Referência do SSF

O limite que o regulador fixa para o custo com elenco em relação às Receitas Relevantes. Vale a partir do exercício de 2026 e não se aplica aos anos anteriores.

Vale a partir do exercício de 2026

5.O que o auditor disse?

O que é o parecer do auditor

A opinião de uma empresa de auditoria independente sobre se as demonstrações financeiras representam adequadamente a situação do clube, segundo as normas contábeis.

Opinião: Abstenção de opinião

O auditor não obteve elementos suficientes para formar uma opinião.

No parecer de 2024: “Não expressamos opinião sobre essas demonstrações contábeis acima referidas, pois devido à relevância dos assuntos descritos na seção intitulada “Base de Opinião para abstenção de opinião sobre as demonstrações contábeis” não nos foi possível obter evidência de auditoria apropriada e suficiente para fundamentar nossa opinião de auditoria sobre essas demonstrações contábeis.” (p.20).

O auditor lista 2 motivos, nas p.20 a 21 do relatório.

Ver os 2 motivos
  1. “Plano de recuperação judicial e valor recuperável de ativos” (p.20)
  2. “Documentações suporte” (p.21)

“Ênfase” (p.21)

“Chamamos atenção à Nota Explicativa n° 4, às demonstrações contábeis, que foram alteradas e estão sendo reapresentadas em cumprimento ao CPC 23 – Políticas Contábeis, mudança de estimativa e retificação de erros, para refletir a correção de erros descritas na referida Nota Explicativa.”

“Outros assuntos – Demonstração do Valor Adicionado (DVA)” (p.21)

“Fomos contratados para avaliar também as Demonstrações do Valor Adicionado (DVA) referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2024, elaboradas sob a responsabilidade da administração da Companhia, e apresentadas como informação suplementar para fins de IFRS. Para a emissão do nosso relatório, avaliamos se essas demonstrações estão conciliadas com as demonstrações contábeis e registros contábeis, conforme aplicável, e se a sua forma e conteúdo estão de acordo com os critérios definidos no Pronunciamento Técnico CPC 09 - Demonstração do Valor Adicionado. Todavia, devido à relevância dos assuntos descritos na seção intitulada - Base para abstenção de opinião, não nos foi possível obter evidências apropriadas e suficientes para fundamentar nossa opinião sobre essas demonstrações do valor adicionado, bem como se elas são consistentes em relação às demonstrações contábeis tomadas em conjunto. Consequentemente, não expressamos opinião ou qualquer afirmação sobre elas.”

“Auditoria dos valores correspondentes” (p.22)

“As demonstrações contábeis do Vasco da Gama Sociedade Anônima do Futebol para o exercício findo em 31 de dezembro de 2023 foram examinadas por outros auditores independentes que emitiram relatório, em 26 de abril de 2024, sem ressalvas e ênfase indicando a incerteza relevante sobre a dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional.”

Ver o texto completo

“Plano de recuperação judicial e valor recuperável de ativos” (p.20)

“Conforme Nota Explicativa nº 1 às demonstrações contábeis, em 10 de dezembro de 2024, o Conselho de Administração da Companhia aprovou o ingresso do processo de recuperação judicial o que ocorreu em 24 de fevereiro de 2025. Em 05 de maio de 2025 o Conselho de Administração da Companhia aprovou o Plano de Recuperação Judicial, que foi apresentado em juízo em 06 de maio de 2025, e que até a conclusão dos nossos trabalhos ainda não havia sido aprovado pela Assembleia Geral de Credores. Existem ainda negociações em curso sobre condições relevantes do Plano, portanto, não nos foi possível determinar no estágio atual, quais serão os efeitos, se houver, sobre o atual Plano. Em decorrência disso, não foi possível concluirmos se a utilização do pressuposto de continuidade operacional, base para a elaboração dessas demonstrações contábeis do exercício findo em 31 de dezembro de 2024, é apropriado, nem tampouco quais seriam os efeitos sobre os saldos dos ativos, passivos e nos elementos componentes das demonstrações do resultado, dos resultados abrangentes, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa caso as demonstrações contábeis não fossem preparadas considerando esse pressuposto. Diante deste contexto de incerteza, que pode afetar significativamente a capacidade de investimento da Companhia nas operações futuras, o que resultaria em potencial desvalorização dos ativos, a Administração, até a data de finalização dos nossos trabalhos, optou por não realizar o teste de redução ao valor recuperável de ativo conforme requerido pelo pronunciamento técnico CPC 01 (R1) – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Consequentemente, não foi possível determinar se teria havido necessidade de efetuar ajustes em relação aos saldos dos ativos não financeiros da Companhia em 31 de dezembro de 2024, bem como nos elementos componentes das demonstrações do resultado, dos resultados abrangentes, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa do exercício findo naquela data. Atualmente, a Administração da Companhia, com apoio de especialistas, está em fase de negociação do plano de recuperação judicial, que inclui entre outros, o plano de negócio com as alternativas para a captação de recursos necessários à operação e os fluxos de caixa projetados para os próximos exercícios. Adicionalmente, a Companhia incorreu em prejuízo de R$ 114.682 mil (R$ 124.568 mil em 2023). O passivo circulante excedeu o ativo circulante em R$ 278.516 (R$ 199.013 mil em 2023), bem como apresenta passivo a descoberto no montante de R$ 734.270 mil (R$ 612.910 mil em 2023).”

“Documentações suporte” (p.21)

“Recebemos as documentações para a avaliação, todavia, em decorrência das limitações relacionadas ao processo de recuperação judicial, até a emissão desse relatório não houve tempo hábil para concluir a adequada mensuração e registro das rubricas às demonstrações contábeis em 31 de dezembro de 2024: Adiantamento a terceiros no valor de R$ 3.238 mil, Despesas antecipadas R$ 681 mil ativo circulante e R$ 6.196 mil ativo não circulante, Créditos tributários no valor de R$ 32.073 mil, Imagens e transações de atletas a pagar R$ 198.541 mil passivo circulante e R$ 42.666 passivo não circulante, Obrigações trabalhistas e sociais R$ 27.684 mil; Regime Centralizado de Execuções R$ 30.001 mil passivo circulante e R$ 163.539 mil no passivo não circulante; Obrigações com entidades desportivas R$ 7.993 mil, Acordos cíveis e trabalhistas R$ 13.601 mil passivo circulante e R$ 99.351 mil não circulante, Provisão para riscos judiciais R$ 8.413 mil no passivo circulante e R$ 38.740 no passivo não circulante; Arrendamentos a pagar R$ 9.275 mil, Contas a receber – ativo circulante no valor de R$ 127.836 mil e R$ 469 mil, Depósitos judiciais no valor de R$ 28.769 mil, Fornecedores no valor de R$ 58.801 mil no passivo circulante e R$ 89.046 mil no passivo não circulante, Impostos e contribuições a recolher no valor de R$ 26.176 mil, Parcelamentos no valor de R$ 49.868 mil no passivo circulante e R$ 190.920 mil no passivo não circulante, passivo contratual no valor de R$ 44.634 mil no passivo circulante e R$ 106.641 mil no passivo não circulante, Empréstimos e financiamentos no valor de R$ 4.330 mil, prejuízo do exercício no valor de R$ 114.682 mil, Partes relacionadas – Créditos com 777 no valor de R$ 22.037 mil e F3EA Holding LLC no valor de R$ 916 mil, Assunção de dívidas no valor de R$ 592.624 mil, Custo de transação R$ 28.000, Reservas de capital R$ 1.839 mil.”

Abrir no relatório (p.20)

Parágrafos de ênfase: 1

Trecho em que o auditor chama a atenção para um assunto já divulgado nas demonstrações, sem modificar a opinião. Ênfase não é ressalva.

  • Reapresentação das demonstrações de 2023 para correção de erros, pelo CPC 23 (nota 4, p.21).
Conselho fiscal: parecer de 30/06/2025

Encaminha as demonstrações ao conselho de administração sem se opor à divulgação, destacando as limitações do relatório do auditor e pontos de atenção sobre a continuidade operacional e a falta de aprovação formal do balanço de 2023.

Fontes

Todo número desta página vem exclusivamente das demonstrações financeiras publicadas pelo próprio clube no portal de transparência dele: https://vasco.com.br/institucional. As demonstrações são as de Vasco da Gama Sociedade Anônima do Futebol – Em Recuperação Judicial.

Documentos de 2024

  • Vasco da Gama SAF – Demonstrações Contábeis 2024 · Página do portal
    Detalhes do arquivo

    Vasco da Gama SAF. Publicado em 30/06/2025. Carta da diretoria (p.3), relatório da administração (p.4–16), relatório do auditor independente (p.18–23), balanço, DRE, DRA, DMPL, DFC e DVA (p.24–30), notas explicativas (p.31–82) e parecer do conselho fiscal (p.83–85), num arquivo de 86 páginas gerado no Illustrator. Páginas: Nas demonstrações e notas a folha imprime 17 a menos que a página do arquivo: o balanço está na p.24 e traz impresso 7. O relatório do auditor imprime 3 a 6 e o relatório da administração, o número do arquivo. As evidências citam a página do arquivo.

  • Balanço Patrimonial 2024 do Club de Regatas Vasco da Gama, a associação · Página do portal
    Detalhes do arquivo

    Club de Regatas Vasco da Gama. Publicado em 30/06/2025. Demonstrações contábeis do CRVG, a associação dona de 30% da SAF, versão completa de 30/06/2025, com o relatório da BDO (abstenção de opinião), num arquivo de 54 páginas. Lida para a dívida própria da associação, fora do teto assumido pela SAF (nota 1, p.24), e para a conta corrente com a SAF (nota 15, p.45). Em 30/04/2025 o CRVG publicou uma versão não auditada, que não foi usada. Páginas: A folha imprime o mesmo número da página do arquivo.

Norma contábil: Práticas contábeis adotadas no Brasil, com os CPCs e a ITG 2003 (R2), aplicada pela primeira vez em 2024, com a baixa dos custos de formação de atletas contra o patrimônio. Escala do documento: milhares de reais.

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