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Avaí Futebol Clube · Associação · DF de 2024 publicada em 13/05/2026 · auditoria: BDO RCS Auditores Independentes SS Ltda.

1.Quanto o clube arrecadou?

R$ milhões2024
Receita total

Tudo o que o clube arrecadou com a operação no ano: as receitas do dia a dia mais a negociação de atletas. Não entram receitas financeiras, ganhos em ações judiciais, perdão de dívida, reavaliação de ativos e contratos de longo prazo reconhecidos de uma só vez.

2024, em R$ milhões:

  • Receita recorrente, a receita operacional bruta: 30,7 (nota 28, p.36)
  • Receita com negociação de atletas: 8,5 (DRE, p.9; nota 32, p.38)

Obs: O deságio de 19.688 obtido na renegociação das dívidas da recuperação judicial fica fora da receita: é ganho sem caixa, que a DF lança em outras receitas operacionais ao lado da venda de atletas (nota 33, p.38). A Liga Forte União não tem parcela de receita em 2024: a venda de 20% das receitas de transmissão foi reconhecida inteira em 2023, 92.510 (nota 31, p.38).

39,2
Receita recorrente

O que o clube arrecada todo ano com a operação, sem contar a venda de atletas: transmissão, premiações, bilheteria, sócio-torcedor, patrocínio e publicidade. Recorrente não é fixa, pois oscila com o desempenho em campo.

2024, em R$ milhões e em porcentagem da receita recorrente:

  • Arrendamentos, patrocínios e publicidades: 10,4 (33,9%)
  • Cota de TV e transmissão de jogos: 8,2 (26,8%)
  • Mensalidades dos sócios: 7,4 (24,1%)
  • Bilheteria: 2,3 (7,5%)
  • Receitas de locações: 0,7 (2,5%)
  • Repasses da Loteria Timemania: 0,7 (2,2%)
  • Venda e uso da marca: 0,6 (2,0%)
  • Venda de material esportivo: 0,3 (0,8%)
  • Participações em competições: 0,1 (0,2%)

Fonte: nota 28, p.36 do documento.

Obs: A DF de 2024 lança arrendamentos, patrocínios e publicidades numa linha só, sem abrir as três (nota 28, p.36). É a receita bruta: a DF deduz 1.040 de impostos e cancelamentos para chegar à receita líquida de 29.660.

30,7
Receita com negociação de atletas

O que entrou com venda e empréstimo de atletas, incluindo o mecanismo de solidariedade. Varia muito de um ano para o outro. A memória de cálculo mostra o que foi descontado da venda.

2024, em R$ milhões:

Resultado líquido na cessão definitiva de atletas8,5DRE, p.9; nota 32, p.38
Receita com negociação de atletas=8,5

A relação de atletas não foi divulgada.

Obs: A DF não diz quais atletas foram negociados nem por quanto. A nota do intangível não registra baixa de atletas no ano, de modo que não há valor contábil a devolver a esta linha, como houve em 2025 (nota 11c da demonstração de 2025, p.24).

8,5

2.Sobrou alguma coisa da operação?

R$ milhões2024
Custos e despesas da operação

O gasto do ano para manter o clube funcionando: pessoal, jogos, viagens e despesas administrativas e comerciais. Não entram depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para contingências, nem juros.

2024, em R$ milhões:

  • Gasto com pessoal do futebol: 55,2 (nota 29, p.37; nota 30, p.37)
    Futebol profissional48,7
    Futebol de formação5,3
    Futebol feminino, em linha única1,2
  • Despesas gerais e administrativas, sem a depreciação: 17,8 (nota 34, p.38)
  • Demais custos do futebol profissional, sem a amortização: 11,1 (nota 29, p.37)
  • Demais custos do futebol de formação: 4,1 (nota 30, p.37)

Obs: Ficam dentro deste número 619 de depreciação e amortização sem linha própria na DRE, que por isso não voltam ao EBITDA (nota 12c, p.26; nota 13b-II, p.29).

88,2
EBITDA

O resultado da operação no ano, antes de juros, impostos sobre o resultado, depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para contingências. Não entram receitas financeiras nem o que aconteceu fora da operação.

2024, em R$ milhões:

Déficit operacional(34,0)DRE, p.9
Deságio da recuperação judicial, retirado−19,7DRE, p.9; nota 33, p.38
Depreciação das despesas gerais, devolvida+3,0nota 34, p.38
Amortização dos contratos de atletas, devolvida+0,6nota 29, p.37
EBITDA=(50,1)

* Obs: A DRE identifica 3.643 de depreciação e amortização em linha própria, e é isso que volta ao EBITDA; as notas do imobilizado e do intangível somam 4.262, e os 619 de diferença não têm linha na DRE (nota 12c, p.26; nota 13b-II, p.29). A própria peça imprime a amortização com dois valores — (1.197) na nota 13a (p.27) e (1.198) na nota 13b-II — e o fluxo de caixa traz depreciação de (3.032) contra os 3.064 da nota 12c, 32 sem explicação (p.12). O deságio de 19.688 obtido na renegociação das dívidas da recuperação judicial sai do EBITDA, por ser ganho sem caixa; com ele dentro, o EBITDA seria (30.383) (nota 33, p.38).

(50,1)*
EBITDA recorrente

O EBITDA sem a receita com negociação de atletas. Mostra o que a operação do dia a dia gera, ou consome, sem vender jogador.

2024, em R$ milhões:

Receita recorrente30,7nota 28, p.36
Deduções da receita operacional−1,1nota 28, p.36
Custos e despesas da operação−88,2DRE, p.9; notas 29, 30 e 34, p.37–38
EBITDA recorrente=(58,6)
(58,6)
EBIT

O resultado da operação no ano, antes de juros e impostos sobre o resultado. Ao contrário do EBITDA, desconta o custo dos atletas contratados, dividido pelos anos de contrato, o desgaste de estádio, CT e equipamentos, e as provisões para processos. Não entram receitas financeiras nem o que aconteceu fora da operação.

2024, em R$ milhões:

EBITDA(50,1)
Depreciação das despesas gerais−3,0nota 34, p.38
Amortização dos contratos de atletas−0,6nota 29, p.37
EBIT=(53,7)
(53,7)
Resultado do exercício

O que sobrou, ou faltou, no fim do ano, depois de todas as receitas e despesas, inclusive juros e o que aconteceu fora da operação. Nas associações chama-se superávit ou déficit; nas SAFs, lucro ou prejuízo.

2024, em R$ milhões:

Receita líquida das atividades29,6DRE, p.9; nota 28, p.36
Custos do futebol profissional−61,5DRE, p.9; nota 29, p.37
Custos do futebol categoria de base−9,4DRE, p.9; nota 30, p.37
Receita com negociação de atletas+8,5DRE, p.9; nota 32, p.38
Deságio da recuperação judicial+19,7DRE, p.9; nota 33, p.38
Despesas gerais e administrativas−20,9DRE, p.9; nota 34, p.38
Resultado financeiro
Receitas financeiras0,3
Despesas financeiras, com a atualização das obrigações tributárias em atraso(35,0)
−34,7DRE, p.9; nota 35
Resultado do exercício=(68,7)

O déficit inclui efeitos da recuperação judicial que não passaram pelo caixa. Sem eles, o resultado seria um déficit de 88,4.

Resultado do exercício(68,7)
Deságio da recuperação judicial−19,7DRE, p.9; nota 33, p.38
Resultado sem os efeitos sem caixa=(88,4)

Obs: O déficit é o mesmo nas duas peças que o clube publicou de 2024, a não auditada de 04/05/2025 e a auditada; a classificação muda por inteiro, e o portal usa a auditada. As despesas financeiras de 34.959 carregam a atualização das obrigações tributárias em atraso, que esta peça não separa em linha própria (DRE, p.9).

(68,7)

3.Quanto o clube deve, e quanto tem em caixa?

R$ milhões2024
Dívida líquida

Tudo o que o clube deve, menos o dinheiro em caixa: bancos, outros clubes e agentes, fornecedores, fisco, elenco e impostos parcelados, e o dinheiro já recebido por jogos, marca ou atletas que o clube ainda vai entregar. Não desconta o que o clube tem a receber por venda de atletas. O perfil da dívida, logo abaixo, abre cada parcela.

2024, em R$ milhões:

Impostos parcelados e acordos157,3balanço, p.8; notas 19, 21, 24 e 25, p.33–35
Dívidas operacionais+19,8balanço, p.8; notas 14, 16, 17, 18, 20, 26 e 27, p.31–35
Dívidas onerosas+0,3balanço, p.8; nota 15, p.31
Disponibilidades−8,7balanço, p.8
Dívida líquida=168,7

Obs: Os contenciosos tributários na PGFN e no CARF somam 128.658, 72% da dívida bruta (nota 21, p.33). Os credores da recuperação judicial, 28.620, são o passivo sujeito ao plano homologado em 18/12/2024, que o auditor ressalva por não estar ajustado a valor presente (notas 19 e 24, p.33 e p.35; p.4).

168,7
Caixa e equivalentes

Dinheiro disponível de imediato: saldo em conta e aplicações de resgate rápido. Não entram caixa restrito, vinculado a projetos, nem títulos de prazo mais longo.

2024, em R$ milhões:

  • Aplicações financeiras: 6,4 (balanço, p.8)
  • Caixa e equivalentes de caixa: 2,3 (balanço, p.8)

Obs: O caixa e as aplicações subiram 2.543 em 2024, de 6.204 para 8.747 (balanço, p.8). A demonstração dos fluxos de caixa desta peça fecha o ano em 2.288, deixando de fora as aplicações que o saldo inicial inclui, e subtrai do déficit a depreciação, a amortização e o deságio em vez de somá-los (p.12).

8,7
Capital de giro líquido

O que o clube tem para receber ou transformar em dinheiro nos próximos doze meses, menos o que precisa pagar no mesmo prazo. Positivo, há mais a receber do que a pagar no ano; negativo, o clube começa o ano com mais contas a pagar do que recursos de curto prazo.

2024, em R$ milhões:

Ativo circulante: o que vira dinheiro em até doze meses39,2balanço, p.8
Passivo circulante: o que vence em até doze meses−29,1balanço, p.8
Capital de giro líquido=10,1

Obs: No ativo circulante estão 24.132 a receber da Liga Forte União, a terceira parcela do contrato de 2023, que em janeiro de 2025 foi compensada contra a recompra de 5% dos direitos (nota 8 da demonstração de 2025, p.18).

10,1
Patrimônio líquido

A diferença entre tudo o que o clube tem e tudo o que deve, direto do balanço. Quando é negativo, as obrigações superam os bens e direitos registrados. Pode variar por ajustes que não passam pelo resultado, como mudança de norma contábil.

2024, em R$ milhões:

Patrimônio social4,0balanço, p.8; DMPL, p.11
Reservas patrimoniais
Reserva de reavaliação de imóveis16,9
Ajuste de avaliação patrimonial24,4
Reserva de doação – imobilizado1,9
+43,2balanço, p.8; DMPL, p.11
Déficits acumulados
Déficit acumulado(70,2)
Déficit do exercício(68,7)
−138,9balanço, p.8; DMPL, p.11
Patrimônio líquido=(91,7)

Obs: O patrimônio caiu 86.695 em 2024: 68.731 do déficit do ano e 17.964 de ajustes lançados direto no patrimônio, entre eles 11.005 da transição da ITG 2003 (R2), que baixou os atletas em formação do intangível (DMPL, p.11). A BDO ressalva esse ajuste: para o auditor, a mudança de política contábil deveria ter sido apresentada de forma retrospectiva, e os valores correspondentes trazem intangível e patrimônio a maior nesse montante (p.3).

(91,7)
Perfil da dívida em 2024

De que a dívida é feita, parcela a parcela: quanto é com bancos, quanto é com outros clubes, agentes e fornecedores, quanto é imposto parcelado, e o caixa descontado para chegar à dívida líquida.

Dívida bruta de R$ 177,4.

  • Dívidas onerosas: 0,3 (0,2%)
    Empréstimos e financiamentos0,30,2%
  • Dívidas operacionais: 19,8 (11,2%)
    Obrigações tributárias correntes9,65,4%
    Fornecedores4,82,7%
    Obrigações trabalhistas4,42,5%
    Direito de imagem a pagar0,70,4%
    Adiantamentos recebidos0,30,2%
    Cauções e comodatos0,00,0%
  • Impostos parcelados e acordos: 157,3 (88,6%)
    Contencioso tributário na PGFN115,465,0%
    Credores da recuperação judicial28,616,1%
    Contencioso tributário no CARF13,37,5%

Valores em R$ milhões.

Quanto vence em até doze meses, em R$ milhões:

  • Dívidas onerosas0,3 até 12 meses · 0,0 depois
  • Dívidas operacionais19,8 até 12 meses · 0,0 depois
  • Impostos parcelados e acordos9,0 até 12 meses · 148,3 depois
  • Dívida bruta29,1 até 12 meses · 148,3 depois

Vence em até 12 meses Vence depois de 12 meses

ComposiçãoSaldo em 31/12/2024, R$ miEvidência
Dívidas onerosas

O que o clube deve a bancos e a outros credores financeiros: empréstimos, financiamentos, debêntures e adiantamentos de recebíveis. Geram juros contratados.

Empréstimos e financiamentos

Contrato com a Federação Catarinense de Futebol, sem juros, com vencimento em dezembro de 2024.

0,3balanço, p.8; nota 15, p.31
Subtotal0,3
Dívidas operacionais

O que o clube deve por operar: parcelas de compra de atletas a outros clubes e agentes, fornecedores, salários e encargos, impostos correntes, direitos de imagem e o dinheiro já recebido por jogos, marca ou atletas que o clube ainda vai entregar: TV, patrocínio, sócio-torcedor, camarotes e atletas vendidos que ainda não se transferiram.

Obrigações tributárias correntes

Tributos e contribuições previdenciárias correntes, fora dos contenciosos da PGFN e do CARF.

9,6balanço, p.8; nota 17, p.32
Fornecedores

Em 2025 passaram a 13.184.

4,8balanço, p.8; nota 14, p.31
Obrigações trabalhistas

Salários, férias, 13º e encargos a recolher. Em 2025 passaram a 14.123.

4,4balanço, p.8; nota 16, p.32
Direito de imagem a pagar

Em 2025 passou a 7.493.

0,7balanço, p.8; nota 18, p.33
Adiantamentos recebidos

Receitas recebidas antes da entrega, que a DF chama de receitas diferidas: sócios 265, direito de solidariedade 21 e camarote 19.

0,3balanço, p.8; nota 20, p.33
Cauções e comodatos

Cauções, comodatos e os fornecedores classificados no passivo não circulante.

0,0balanço, p.8; notas 26 e 27, p.35
Subtotal19,8
Impostos parcelados e acordos

Impostos atrasados renegociados em parcelas, como o Profut, e dívidas antigas que o clube acertou em acordo, como processos trabalhistas e recuperação judicial, pagas ao longo de vários anos.

Contencioso tributário na PGFN

Débitos tributários na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no passivo não circulante. O total impresso da nota 21 (167.292) não é a soma das próprias linhas, que dão 128.658 com o CARF; a dívida do painel usa as linhas do balanço, que fecham.

115,4balanço, p.8; nota 21, p.33
Credores da recuperação judicial

Passivo sujeito ao plano de recuperação judicial, homologado em 18/12/2024. 8.953 vencem em até doze meses e 19.667 depois. O auditor ressalva que esses passivos não foram ajustados a valor presente (p.4).

28,6balanço, p.8; nota 19, p.33; notas 24 e 25, p.35
Contencioso tributário no CARF

Processo fiscal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no passivo não circulante.

13,3balanço, p.8; nota 21, p.33
Subtotal157,3
Dívida bruta177,4
(−) Disponibilidades

Caixa e aplicações financeiras de resgate rápido, deduzidos da dívida bruta para chegar à dívida líquida.

Caixa e equivalentes de caixa (2.288) + aplicações financeiras (6.459).

(8,7)balanço, p.8; nota 3 da demonstração de 2025, p.17
Dívida líquida168,7

Fora da dívida bruta: Provisão para ações trabalhistas, R$ 15,8 mi (nota 23, p.34); Provisão para ações cíveis, R$ 1,9 mi (nota 22, p.34).

4.Quanto vai para quem trabalha no futebol?

R$ milhões2024
Gasto com pessoal

O que o clube gastou no ano com quem trabalha no futebol, atletas, comissão técnica, base e feminino: salários, encargos, benefícios, direito de imagem, direito de arena, luvas e premiações. Não entra a amortização dos contratos. Administrativo, clube social e outros esportes ficam fora quando a demonstração os separa; quando não separa, o número é do pessoal do clube inteiro e leva um asterisco, explicado na observação. Onde a demonstração separa os segmentos do futebol, a explicação mostra quanto é de cada um.

2024, em R$ milhões:

  • Futebol profissional: 48,7 (nota 29, p.37)
    Salários e encargos sociais36,9
    Direito de uso de imagem10,5
    Premiações por desempenho0,9
    Luvas0,4
  • Futebol de formação: 5,3 (nota 30, p.37)
    Salários e encargos sociais4,7
    Ajuda de custo0,6
  • Futebol feminino, todos os custos em linha única: 1,2 (nota 29, p.37)

* Obs: Esta peça junta a folha do futebol profissional numa linha de salários e encargos sociais de 36.882, sem abrir as rubricas (nota 29, p.37). O futebol feminino vem numa linha só, com todos os custos do segmento, e entra inteiro. Ficam fora os esportes olímpicos (78) e o pessoal administrativo, que a DF abre em 3.045 (nota 34, p.38).

55,2*
Gasto com pessoal sobre receita recorrente

Quanto da receita recorrente vai para pagar o pessoal do futebol: gasto com pessoal dividido pela receita recorrente. Não se compara ao limite do SSF, que tem definições próprias e vale a partir de 2026.

2024, em R$ milhões:

Gasto com pessoal55,2nota 29, p.37; nota 30, p.37
Receita recorrente÷30,7nota 28, p.36
Gasto com pessoal sobre receita recorrente=179,7%

* Obs: O gasto com pessoal inclui a linha única do futebol feminino, com viagens e serviços do segmento, e a receita recorrente é a bruta, antes das deduções de 1.040 (notas 28 e 29, p.36–37).

179,7%*
Referência do SSF

O limite que o regulador fixa para o custo com elenco em relação às Receitas Relevantes. Vale a partir do exercício de 2026 e não se aplica aos anos anteriores.

Vale a partir do exercício de 2026

5.O que o auditor disse?

O que é o parecer do auditor

A opinião de uma empresa de auditoria independente sobre se as demonstrações financeiras representam adequadamente a situação do clube, segundo as normas contábeis.

Opinião: Com ressalva

O auditor encontrou um ou mais pontos que não pôde confirmar ou com os quais discorda, mas que não invalidam o conjunto das demonstrações.

No parecer de 2024: “Em nossa opinião, exceto pelos efeitos do assunto descrito na seção a seguir intitulada “Base para opinião com ressalva”, as demonstrações contábeis acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Clube em 31 de dezembro de 2024 o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.” (p.3).

O auditor lista 7 motivos, nas p.3 a 4 do relatório.

Ver os 7 motivos
  1. “Limitação nos saldos de abertura” (p.3)
  2. “Reapresentação das demonstrações contábeis de 2023” (p.3)
  3. “Apresentação da demonstração do fluxo de caixa” (p.3)
  4. “Intangível – valor recuperável dos atletas” (p.4)
  5. “Imobilizado / Ausência de revisão da vida útil” (p.4)
  6. “Realização custo atribuído do ativo imobilizado” (p.4)
  7. “Créditos Recuperação Judicial” (p.4)

“Incerteza relevante relacionada a continuidade operacional” (p.5)

“Conforme Nota Explicativa nº 1.2.a - Recuperação Judicial, foi homologada a Recuperação Judicial do Clube em 18 de dezembro de 2024. A continuidade operacional do Clube depende do cumprimento das condições expressas no plano de recuperação judicial. Nossa opinião não está ressalvada em relação a esse assunto.”

Ver o texto completo

“Limitação nos saldos de abertura” (p.3)

“As demonstrações contábeis do exercício findo em 31 de dezembro de 2023, apresentadas para fins comparativos, foram auditadas por nós, para as quais emitimos o relatório com ressalvas de opinião devido ausência de recebimento de circularizações de instituições financeiras, ausência de revisão da vida útil ativo imobilizado, suporte documental do ativo intangível, insuficiência de contingências, diferença não conciliadas nas rubricas: fornecedores, outras contas a pagar, obrigações trabalhistas, obrigações sociais e fiscais, obrigações tributárias e processo fiscal – CARF e limitação do resultado do exercício.”

“Reapresentação das demonstrações contábeis de 2023” (p.3)

“O Clube aplicou a Instrução Técnica Geral 2003 (R2), emitida pelo Conselho Federal de Contabilidade, que determina o reconhecimento dos gastos com atletas em formação e não mais como um intangível do Clube, sendo este ajuste contabilizado no patrimônio líquido no montante de R$ 11.005. Contudo, não foi observado o pronunciamento contábil CPC 23 - Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro, segundo o qual alterações de políticas contábeis devem ser apresentadas de forma retrospectiva. Desta forma, os valores correspondentes apresentam um intangível e patrimônio líquido estão a maior no referido montante e estamos limitados quanto aos efeitos no resultado do exercício.”

“Apresentação da demonstração do fluxo de caixa” (p.3)

“A Administração optou por apresentar na demonstração do fluxo de caixa pelo método indireto, porém transações que não envolveram caixa estão apresentadas como passivo financeiros nas atividades operacionais, reversões das provisões para contingências cíveis no montante de R$ 18.587, e, nas atividades de investimentos, baixa de atletas em formação no montante de R$ 11.005. Conforme pronunciamento contábil CPC 03 (R2) Demonstração dos fluxos de caixa estas transações devem ser apresentadas como ajuste de lucro nas atividades operacionais.”

“Intangível – valor recuperável dos atletas” (p.4)

“Conforme requerido na Interpretação Técnica Geral 2023 aplicável a entidades desportivas, emitida pelo Conselho Federal de Contabilidade, o Clube deve avaliar a recuperabilidade econômico-financeira (impairment) do valor líquido contábil dos direitos contratuais de cada atleta no mínimo uma vez por ano, preferencialmente por ocasião do encerramento do exercício social. Contudo, a Administração não nos apresentou avaliação econômico-financeira dos atletas registrados no ativo intangível. Desta forma, estamos limitados quanto aos possíveis efeitos não registrados do valor recuperável dos atletas em 31 de dezembro de 2024.”

“Imobilizado / Ausência de revisão da vida útil” (p.4)

“Em 31 de dezembro de 2024, o Clube mantinha registrado na Rubrica “Imobilizado” o valor de R$ 60.468, conforme Nota Explicativa nº 9, deste montante (R$ 9.678 mil) é referente a depreciação acumulada, para o qual não foi nos apresentando a composição dos bens depreciados e taxas de vidas úteis revisadas. Consequentemente, nestas condições não nos foi possível concluir sobre a valorização da depreciação e seus possíveis efeitos nas demonstrações contábeis de Clube em 31 de dezembro de 2024.”

“Realização custo atribuído do ativo imobilizado” (p.4)

“Em 31 de dezembro de 2024, o Clube mantinha registrado no Patrimônio líquido, na Rubrica de “Ajuste de avaliação patrimonial” o valor de R$ 41.275, referente ao custo atribuído do ativo imobilizado, o qual deve ser realizado ao longo da vida do ativo relacionado seja pela depreciação ou baixa do ativo relacionado. Entretanto, os montantes não estão sendo apresentado líquidos da realização, bem como não nos foi apresentada a composição dos bens reavaliados, indicando a depreciação destes e ou a data e o montante baixado. Consequentemente, nestas condições não nos foi possível concluir sobre a mensuração da Rubrica “Ajuste de avaliação patrimonial” e “Déficits acumulados” nas demonstrações contábeis de Clube em 31 de dezembro de 2024.”

“Créditos Recuperação Judicial” (p.4)

“Conforme descrito na Nota Explicativa nº 1.2, a, o Clube encontra-se em processo de recuperação judicial, tendo seus passivos sujeitos ao plano aprovado sido reestruturados quanto a prazos, encargos e demais condições de pagamento. De acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, o pronunciamento técnico CPC 12 (R1) – Ajuste a Valor Presente, tais passivos deveriam ser ajustados ao seu valor presente quando relevantes, considerando as novas condições estabelecidas e os efeitos do valor do dinheiro no tempo. Entretanto, não houve o reconhecimento do ajuste a valor presente dos referidos passivos. Consequentemente, não nos foi possível determinar os efeitos que tal procedimento poderia ter sobre o saldo dos passivos, o patrimônio líquido e o resultado do exercício findo em 31 de dezembro de 2024.”

Abrir no relatório (p.3)

Parágrafos de ênfase: 1

Trecho em que o auditor chama a atenção para um assunto já divulgado nas demonstrações, sem modificar a opinião. Ênfase não é ressalva.

  • Incerteza relevante relacionada a continuidade operacional: a recuperação judicial foi homologada em 18/12/2024 e a continuidade depende do cumprimento das condições do plano (p.5).
Conselho fiscal: parecer

Parecer favorável à aprovação, com ressalvas, que decorrem dos problemas havidos na gestão do orçamento e da ausência de disponibilização do relatório de auditoria.

Fontes

Todo número desta página vem exclusivamente das demonstrações financeiras publicadas pelo próprio clube no portal de transparência dele: https://avai.com.br/clube/transparencia/. As demonstrações são as de Avaí Futebol Clube — Em Recuperação Judicial.

Documentos de 2024

  • Avaí Futebol Clube – Demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 2024, com o relatório do auditor independente e o parecer do conselho fiscal · Página do portal
    Detalhes do arquivo

    Avaí Futebol Clube. Publicado em 13/05/2026. Arquivo de 52 páginas: capa (p.1), relatório do auditor independente da BDO (p.2–6), índice (p.7), balanço patrimonial (p.8), demonstração do resultado (p.9), resultado abrangente (p.10), mutações do patrimônio líquido (p.11), fluxos de caixa (p.12), notas explicativas 1 a 39 (p.13–40) e parecer do conselho fiscal (p.41–52). É a peça auditada do exercício, publicada em maio de 2026; o portal a lista como “Demonstrações Contábeis – 4º Trimestre de 2024”. Páginas: As evidências citam a página do arquivo. O relatório do auditor imprime o mesmo número da página do arquivo (a p.5 traz impresso 5); o índice da p.7 numera as demonstrações e as notas à parte (“Página 1 de 34”).

  • Avaí Futebol Clube – Parecer do conselho fiscal do exercício de 2024 · Página do portal
    Detalhes do arquivo

    Avaí Futebol Clube. Publicado em 13/05/2026. Parecer do conselho fiscal em 12 páginas, ofício CF n.º 2025/002, cópia das p.41–52 do arquivo completo: análise orçamentária, análise contábil e parecer favorável à aprovação, com ressalvas. Páginas: As evidências da ficha citam a página do arquivo completo: a p.1 deste arquivo é a p.41 do completo.

Norma contábil: Práticas contábeis adotadas no Brasil para entidades sem finalidade de lucros: ITG 2002 (R1) e ITG 2003 (R2), que a DF grafa “ITG 2023 (R2)” (nota 2, p.14). Escala do documento: milhares de reais.

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