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Grêmio

Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense · Associação · DF de 2025 publicada em 25/03/2026 · auditoria: Baker Tilly Brasil RS Auditores Independentes S/S, CRCRS 006706/O

1.Quanto o clube arrecadou?

R$ milhões2025Variação
sobre 2024
Receita total
Brasileiro 2025Série A

Tudo o que o clube arrecadou com a operação no ano: as receitas do dia a dia mais a negociação de atletas. Não entram receitas financeiras, ganhos em ações judiciais, perdão de dívida, reavaliação de ativos e contratos de longo prazo reconhecidos de uma só vez.

2025, em R$ milhões:

  • Receita recorrente: 379,5 (nota 22, p.28)
  • Receita com negociação de atletas: 127,1 (nota 25, p.30–31)

Obs: A DF apresenta as doações da operação da Arena e o valor justo de R$ 248,2 mi fora da receita, em linhas próprias. A DF os trata como eventos extraordinários (nota 1.1, p.13).

506,6(0,8%)
Receita recorrente
Brasileiro 2025Série A

Quanto o clube arrecada por ano com a operação, sem a venda de atletas: transmissão, premiações, bilheteria, sócio-torcedor, patrocínio e publicidade.

2025, em R$ milhões e em porcentagem da receita recorrente:

  • Transmissão: 155,5 (41,0%)
    Campeonato Brasileiro131,434,6%
    Copa Libertadores e Sul-Americana9,02,4%
    Campeonato Gaúcho8,92,4%
    Copa do Brasil5,81,5%
    Campeonato Brasileiro Feminino0,40,1%
  • Receitas publicitárias: 107,6 (28,4%)

    Passou de R$ 65,4 mi em 2024 para R$ 107,6 mi, mais 64,6%. A DF não detalha os contratos de publicidade (nota 22, p.28).

  • Quadro social: 67,5 (17,8%)
  • Loja Grêmio Mania: 31,8 (8,4%)

    Passou de R$ 22,2 mi em 2024 para R$ 31,8 mi, mais 43,6%. A DF de 2024 registra saques na loja e a Arena sem jogos até setembro de 2024, por causa das enchentes (nota 1, p.11 da DF de 2024); a DF de 2025 não comenta a alta (nota 22, p.29).

  • Jogos, locações e patrimoniais: 6,6 (1,7%)
    Receitas de jogos3,91,0%
    Locações2,60,7%
    Receitas patrimoniais, sem o trabalho voluntário0,1< 0,1%
  • Royalties: 7,7 (2,0%)
  • Luvas, prêmios e outras: 2,8 (0,7%)
    Outras do desporto2,00,5%
    Luvas0,80,2%
    Premiações< 0,1< 0,1%

Fonte: nota 22, p.28–29; nota 22, p.28 do documento.

Obs: A demonstração do resultado traz R$ 375,5 mi. Esse valor já desconta R$ 5,4 mi de impostos sobre vendas e R$ 809 mil de devoluções da loja. Até novembro de 2025, a Arena era explorada por uma empresa de terceiros, a Arena Porto-Alegrense. O que ela devia ao clube pelo contrato era abatido da dívida do clube com ela, sem entrada de dinheiro. Em novembro, o clube passou a operar a Arena. Fica fora o trabalho voluntário dos conselheiros, de R$ 2,2 mi. A DF o registra pelo mesmo valor em receita e em despesa, sem entrada de dinheiro (nota 29, p.32).

379,5(6,2%)
Receita com negociação de atletas

O que entrou com venda e empréstimo de atletas, incluindo o mecanismo de solidariedade. Varia muito de um ano para o outro.

2025, em R$ milhões:

Venda de atletas123,8nota 25, p.30
Mecanismo de solidariedade+3,3nota 25, p.31
Receita com negociação de atletas=127,1
Atletas negociados (nota 25, p.30)
  • Nathan Fernandes, ao Botafogo
  • Igor Schlemper, ao Al Jazira FB
  • Kaick Ferreira, à MLS
  • Marchesin, ao Boca Jr
  • José Guilherme, ao Bahia
  • Gustavo Cruz, ao Al-Qadsiah
  • JP Vilardi, ao Vitória
  • Lorena Leite, à National Womens
  • Douglas Marinez, ao CA Penarol
  • Ricardo Vianna, ao Professional FC
  • Mateus Martins, ao Shakhtar
  • Vitor Bobsin, ao Santa Clara FS
  • Caique, ao Criciuma
  • Matheus Macenna, ao Red Bull
  • Everton Galdino, ao Tokio FC

Obs: As vendas incluem R$ 8,3 mi de outras deduções e receitas que a nota 25 não atribui a nenhum atleta (p.30).

127,1+19,5%

2.Sobrou alguma coisa da operação?

R$ milhões2025Variação
sobre 2024
Custos e despesas da operação

O gasto do ano para o clube funcionar: pessoal, jogos, viagens, administração e área comercial. Não entram juros, depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para processos.

2025, em R$ milhões:

Custos do desporto, sem a amortização387,1nota 23, p.29
Despesas gerais, sem depreciação, contingências e trabalho voluntário
Salários administrativos36,3
Serviços de terceiros29,6
Aluguéis, seguros e materiais11,8
Água, luz, telefone e manutenção7,7
Publicitárias2,4
Créditos de liquidação duvidosa2,1
Tributos federais1,4
Outras despesas1,3
Trabalho voluntário dos conselheiros, sem caixa(2,2)
+90,4nota 24, p.29; nota 29, p.32
Doações, recuperações e festejos
Doações(12,5)
Recuperação de despesas, sem as reversões de comissões(3,4)
Festejos e aniversários(0,1)
−16,0nota 25, p.30
Reversão da cessão onerosa, em linha que a DF não identifica+18,5nota 1.1, p.14
Custos e despesas da operação=480,0

Obs: As doações de R$ 12,5 mi abatem o gasto. A DF não descreve essas doações. As recuperações de despesas, que são despesas pagas pelo clube e depois ressarcidas, também abatem o gasto (nota 25, p.30). A reversão da cessão onerosa de cadeiras é de R$ 18,5 mi. Ela volta aos custos, porque fica fora do EBITDA. A DF a lança sem dizer em que linha (nota 1.1, p.14). O trabalho voluntário dos conselheiros não é gasto e sai das despesas administrativas de pessoal. A DF o lança pelo mesmo valor na receita (nota 29, p.32).

480,0+11,0%
EBITDA

O resultado da operação no ano, antes de juros, impostos sobre o resultado, depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para processos. Não entram receitas financeiras nem o que aconteceu fora da operação.

2025, em R$ milhões:

Resultado antes do resultado financeiro130,2DRE, p.8
Doações da operação Arena−135,0DRE, p.8; nota 1.1, p.13–14
Valor justo da operação Arena−248,2DRE, p.8; nota 1.1, p.14
Impairment do direito de exploração da Arena+157,5DRE, p.8; nota 1.1, p.14
Reversão da cessão onerosa de cadeiras, sem caixa−18,5nota 1.1, p.14
Amortização de atletas+101,9nota 23, p.29
Depreciação e amortização de outros ativos+10,4nota 24, p.29
Contingências judiciais+14,7nota 24, p.29
Baixa contábil dos atletas vendidos+9,2nota 25, p.30
Reversão de comissões renegociadas, sem caixa−1,7nota 25(a), p.30
EBITDA=20,5

* Obs: Ficam fora do EBITDA três itens da operação da Arena. São as doações de R$ 135,0 mi, o valor justo de R$ 248,2 mi e a reversão da cessão onerosa de cadeiras de R$ 18,5 mi. O impairment, de R$ 157,5 mi, é somado de volta. Impairment é a perda de valor de um ativo. A DF trata esses itens como eventos extraordinários e não diz em que linha lançou a reversão (nota 1.1, p.13–14).

20,5*(72,7%)
EBITDA recorrente

O EBITDA sem a receita com negociação de atletas. Mostra o que a operação do dia a dia gera, ou consome, sem vender jogador.

2025, em R$ milhões:

Receita recorrente379,5nota 22, p.28
Impostos e devoluções da loja−6,1nota 22, p.29
Custos e despesas da operação−480,0DRE, p.8; notas 23 a 25, p.29–30
EBITDA recorrente=(106,6)
(106,6)(75,2) em R$ mi
EBIT

O EBITDA depois de descontar o custo dos atletas contratados, dividido pelos anos de contrato, o desgaste de estádio, CT e equipamentos, e as provisões para processos.

2025, em R$ milhões:

EBITDA20,5
Amortização de atletas−101,9nota 23, p.29
Depreciação e amortização de outros ativos−10,4nota 24, p.29
Contingências judiciais−14,7nota 24, p.29
Baixa contábil dos atletas vendidos−9,2nota 25, p.30
EBIT=(115,7)

Obs: A perda de valor do direito de exploração da Arena fica fora deste número. Ficam fora também os ganhos da mesma operação, que o EBITDA já deixa fora. A DF trata a perda e os ganhos como eventos extraordinários (nota 1.1, p.13–14).

(115,7)inversão de sinal
Resultado do exercício

O que sobrou, ou faltou, no fim do ano, depois de todas as receitas e despesas, inclusive juros e o que aconteceu fora da operação. Nas associações, superávit ou déficit; nas SAFs, lucro ou prejuízo.

2025, em R$ milhões:

Receita da atividade de desporto375,5DRE, p.8
Custo da atividade de desporto−489,0DRE, p.8
Despesas gerais e administrativas−117,7DRE, p.8
Doações da operação da Arena+135,0DRE, p.8; nota 1.1, p.14
Valor justo da operação da Arena+248,2DRE, p.8; nota 1.1, p.14
Impairment do direito de superfície−157,5DRE, p.8; nota 1.1, p.14
Outras receitas operacionais+135,6DRE, p.8
Resultado financeiro
Receitas financeiras34,1
Despesas financeiras(128,7)
−94,6DRE, p.8
Resultado do exercício=35,5

O superávit inclui efeitos da operação da Arena que não passaram pelo caixa. Sem eles, o resultado seria um déficit de R$ 210,4 mi.

Resultado do exercício35,5
Doação de créditos pela Arena−135,0nota 1.1, p.13–14
Valor justo dos créditos contra a Arena−248,2nota 1.1, p.14
Impairment do direito de superfície+157,5nota 1.1, p.14
Reversão da cessão onerosa com a Arena−18,5nota 1.1, p.14
Reversão de comissões renegociadas−1,7nota 25(a), p.30
Resultado sem os efeitos sem caixa=(210,4)

Outros R$ 12,5 mi de doações e R$ 0,9 mi de descontos ficam fora da conta. A DF não os detalha.

35,5(18,6%)

3.Quanto o clube deve, e quanto tem em caixa?

R$ milhões2025Variação
sobre 2024
Dívida líquida

Tudo o que o clube deve, menos o dinheiro em caixa: bancos, outros clubes e agentes, fornecedores, fisco, elenco e impostos parcelados, e o dinheiro já recebido por jogos, marca ou atletas que o clube ainda vai entregar. Não desconta o que o clube tem a receber por venda de atletas.

2025, em R$ milhões:

Dívidas onerosas358,1df p.7; notas 7 e 12 a 20, p.20 e p.23–27
Dívidas operacionais+331,2df p.7; notas 7 e 12 a 20, p.20 e p.23–27
Impostos parcelados e acordos+184,6df p.7; notas 7 e 12 a 20, p.20 e p.23–27
Caixa e aplicações−18,4df p.7; nota 4, p.19
Dívida líquida=855,5
855,5+16,7%
Caixa e equivalentes

Dinheiro disponível de imediato: saldo em conta e aplicações de resgate rápido. Não entram caixa restrito, vinculado a projetos, nem títulos de prazo mais longo.

2025, em R$ milhões:

  • Caixa e bancos: 9,9 (nota 4, p.19)
  • Aplicações financeiras de liquidez imediata: 8,5 (nota 4, p.19)

Obs: O caixa subiu R$ 7,2 mi no ano. O fluxo de caixa soma à operação e aos investimentos o direito de exploração da Arena, de R$ 363,3 mi. O clube recebeu esse direito em troca de créditos, sem dinheiro. Sem ele, a operação gerou R$ 148,1 mi e os investimentos tiveram saída de R$ 160,9 mi, dos quais R$ 158,5 mi em atletas. Os empréstimos tomados superaram os pagos em R$ 20,0 mi (DFC, p.11; nota 11, p.22).

18,4+64,7%
Capital de giro líquido

O que o clube tem para receber ou transformar em dinheiro nos próximos doze meses, menos o que precisa pagar no mesmo prazo. Positivo, há mais a receber do que a pagar no ano; negativo, o clube começa o ano com mais contas a pagar do que recursos de curto prazo.

2025, em R$ milhões:

Ativo circulante: o que vira dinheiro em até doze meses
Venda de atletas a receber46,4
Clientes comerciais e licenciados44,8
Caixa, bancos e aplicações18,4
Adiantamentos11,4
Despesas antecipadas7,1
Estoques5,4
Outros créditos0,6
134,1df p.7
Passivo circulante: o que vence em até doze meses
Outras obrigações (nota 19)(141,8)
Parcelas de compras e empréstimos de atletas a pagar(113,8)
Fornecedores(71,3)
Antecipações: cotas de TV e sócios(58,4)
Parcelamentos fiscais, a parcela do ano(39,7)
Empréstimos bancários, a parcela do ano(37,1)
Impostos e contribuições a pagar(31,7)
Salários e encargos a pagar(16,0)
Receitas diferidas de luvas contratuais(6,7)
−516,5df p.7
Capital de giro líquido=(382,4)

Obs: O auditor cita, em uma ênfase, o “desequilíbrio de capital de giro líquido”. Ênfase é um assunto que o auditor destaca sem mudar a opinião. O desequilíbrio é de R$ 382,4 mi em 2025 e de R$ 96,2 mi em 2024 (p.4).

(382,4)(286,2) em R$ mi
Patrimônio líquido

A diferença entre tudo o que o clube tem e tudo o que deve, direto do balanço. Negativo, o clube deve mais do que tem. Pode variar por ajustes fora do resultado, como mudança de norma contábil.

2025, em R$ milhões:

Patrimônio social1,3p.7; DMPL, p.10
Reserva de reavaliação+42,3p.7; DMPL, p.10
Reserva de subvenção+16,8p.7; DMPL, p.10
Déficits acumulados−235,6p.7; DMPL, p.10
Patrimônio líquido=(175,2)

Obs: O patrimônio líquido subiu R$ 35,5 mi em 2025, porque o superávit do ano se soma a ele. A realização da reserva de reavaliação é de R$ 1,1 mi. Ela passa o valor de uma conta para outra, sem mudar o total. Não houve outro lançamento direto no patrimônio líquido (DMPL, p.10).

(175,2)+35,5 em R$ mi
Perfil da dívida em 2025

De que a dívida é feita, parcela a parcela: quanto é com bancos, quanto é com outros clubes, agentes e fornecedores, quanto é imposto parcelado, e o caixa descontado para chegar à dívida líquida.

Dívida bruta de R$ 873,9 mi.

  • Dívidas onerosas: 358,1 (41,0%)
    Empréstimos bancários80,09,2%
    Empréstimos de pessoas físicas169,319,4%
    Antecipações de cotas de TV82,19,4%
    Antecipação do contrato de placas de campo da Brax26,73,0%
  • Dívidas operacionais: 331,2 (37,9%)
    Fornecedores71,38,2%
    Salários de dezembro e férias a pagar16,01,8%
    Impostos e contribuições correntes31,73,6%
    Dívidas com outros clubes por compras e empréstimos de atletas124,214,2%
    Direitos de imagem e serviços a pagar a atletas13,71,6%
    Participações de terceiros em negociações de atletas54,66,2%
    Adiantamentos recebidos15,41,8%
    Outras obrigações4,30,5%
  • Impostos parcelados e acordos: 184,6 (21,1%)
    Parcelamentos de impostos: Profut, Receita Federal, ICMS e FGTS154,517,7%
    Acordos judiciais e extrajudiciais pagos em parcelas30,13,4%

Valores em R$ milhões.

Quanto vence em até doze meses, em R$ milhões:

  • Dívidas onerosas43,8 até 12 meses · 62,9 depois · 251,4 sem prazo
  • Dívidas operacionais232,8 até 12 meses · 10,4 depois · 88,0 sem prazo
  • Impostos parcelados e acordos39,7 até 12 meses · 114,9 depois · 30,0 sem prazo
  • Dívida bruta316,3 até 12 meses · 188,2 depois · 369,4 sem prazo

Vence em até 12 meses Vence depois de 12 meses Prazo não informado pela DF

ComposiçãoSaldo em 31/12/2025, R$ miEvidência
Dívidas onerosas

O que o clube deve a bancos e a outros credores financeiros: empréstimos, financiamentos, debêntures e adiantamentos de recebíveis. Geram juros contratados.

Empréstimos bancários

O Banrisul soma R$ 74,3 mi em quatro contratos. O quadro abaixo traz o valor de cada contrato, com a garantia, os juros e o vencimento. O CDI, o Certificado de Depósito Interbancário, é a taxa média dos empréstimos entre bancos. R$ 37,1 mi vencem em até doze meses e R$ 42,9 mi depois.

Contratos de empréstimo

Credor e garantiaJurosVencimentoR$ mi
Banrisul, com patrocínio, débito e Dass0,70% ao mês mais CDImarço de 202818,4
Banrisul, com Banricompras, Banricard e débito0,70% ao mês mais CDImarço de 202832,0
Banrisul, com Banricompras, débito, patrocínio e cartões0,70% ao mês mais CDIfevereiro de 202814,9
Banrisul, com avalista1% ao mês mais CDInovembro de 20269,0
BMG, com avalista1,84% ao mêsjaneiro de 20265,7
80,0df p.7; nota 12, p.23
Empréstimos de pessoas físicas

A linha reúne contratos de mútuo, que são empréstimos de dinheiro, cedidos ao clube por pessoas físicas. Os valores são atualizados pelos termos de cada contrato e abatidos das amortizações previstas. Em 2024, a linha era de R$ 83,3 mi. A DF cita a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, para não divulgar os nomes. Os contratos ficam à disposição dos conselheiros. A DF não separa esta linha por prazo. No conjunto das outras obrigações da nota 19, R$ 141,8 mi vencem em até doze meses e R$ 130,1 mi depois.

169,3nota 19(b), p.26–27
Antecipações de cotas de TV

A Globo antecipou cotas de TV do Brasileiro. São R$ 45,4 mi do contrato de TV aberta de 2025 a 2029, antecipado em março de 2024. Outros R$ 36,7 mi são da cota de 2026, antecipada em dezembro de 2025. A DF descreve essas antecipações como operações de financiamento para sustentar a operação e fazer investimentos, e por isso ficam entre as dívidas onerosas. A DF não separa esta linha por prazo. No conjunto das antecipações diversas, R$ 58,4 mi vencem em até doze meses e R$ 39,1 mi depois.

82,1df p.7; nota 17, p.25
Antecipação do contrato de placas de campo da Brax

O clube recebeu da Brax arras e princípio de pagamento pelo licenciamento das placas de campo nas temporadas de 2025 a 2029. Arras são o sinal dado para fechar um negócio. A DF registra o valor como receita diferida de luvas, que são valores recebidos cujo efeito contábil fica para os anos seguintes. A DF lança em despesas antecipadas R$ 12,0 mi de encargos sobre as antecipações dos contratos da Brax e do BMG. Por isso, a antecipação fica entre as dívidas onerosas. R$ 6,7 mi vencem em até doze meses e R$ 20,0 mi depois.

26,7df p.7; notas 7 e 18, p.20 e p.25–26
Subtotal358,1
Dívidas operacionais

O que o clube deve por operar: compra de atletas a outros clubes e agentes, fornecedores, salários e encargos, impostos correntes, direitos de imagem e o dinheiro já recebido por algo que o clube ainda vai entregar: TV, patrocínio, sócio-torcedor, camarotes e atletas vendidos.

Fornecedores

Tudo vence em até doze meses. A DF não detalha os fornecedores. Na coluna de 2024 da DF de 2025, a linha era de R$ 10,9 mi.

71,3df p.7
Salários de dezembro e férias a pagar

A linha reúne os salários de atletas e funcionários relativos a dezembro de 2025, mais as provisões de férias. Provisões de férias são valores reservados para pagar as férias. Tudo vence em até doze meses.

16,0df p.7; nota 13, p.24
Impostos e contribuições correntes

O quadro abaixo traz o valor de cada imposto e contribuição que a linha reúne. O IRRF é o Imposto de Renda Retido na Fonte. O INSS é o Instituto Nacional do Seguro Social. O PIS é o Programa de Integração Social, e a COFINS, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. O FGTS é o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. O ICMS é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. O ISS é o Imposto Sobre Serviços. Tudo vence em até doze meses.

Impostos e contribuições correntes

Imposto ou contribuiçãoR$ mi
IRRF15,4
PIS0,4
FGTS3,6
INSS6,3
PIS e COFINS retidos5,4
ICMS0,4
ISS0,1
31,7df p.7; nota 14, p.24
Dívidas com outros clubes por compras e empréstimos de atletas

A linha soma R$ 63,4 mi em reais e R$ 60,8 mi em dólar ou euro, atualizados pelo câmbio de 31/12/2025. Os valores em atraso, quando existem, são corrigidos como os contratos preveem. R$ 113,8 mi vencem em até doze meses e R$ 10,4 mi depois.

124,2df p.7; nota 16, p.24
Direitos de imagem e serviços a pagar a atletas

São direitos de imagem e serviços devidos a atletas profissionais, pelo valor original mais encargos e atualizações até a data do balanço. Em 2024, a linha era de R$ 3,4 mi. A DF não separa esta linha por prazo. No conjunto das outras obrigações da nota 19, R$ 141,8 mi vencem em até doze meses e R$ 130,1 mi depois.

13,7nota 19, p.26
Participações de terceiros em negociações de atletas

São valores devidos pela participação de terceiros em atletas e pela intermediação de negociações. Em 2024, a linha era de R$ 46,0 mi. A DF não separa esta linha por prazo. No conjunto das outras obrigações da nota 19, R$ 141,8 mi vencem em até doze meses e R$ 130,1 mi depois.

54,6nota 19, p.26
Adiantamentos recebidos

A linha reúne R$ 9,2 mi de mensalidades do quadro social de 2026, pagas antecipadamente pelos associados. Reúne também R$ 6,2 mi de outras antecipações, que a DF não detalha. O portal toma a linha inteira como dinheiro já recebido por dois motivos. O primeiro é que o fluxo de caixa registra a variação das antecipações diversas no caixa da operação. O segundo é que não há valor a receber ligado a elas. A DF não separa esta linha por prazo. No conjunto das antecipações diversas, R$ 58,4 mi vencem em até doze meses e R$ 39,1 mi depois. As mensalidades vencem todas em 2026.

15,4df p.7; nota 17, p.25
Outras obrigações

A linha reúne os demais valores da nota 19. A DF não os detalha. Em 2024, a linha era de R$ 2,3 mi. A DF não separa esta linha por prazo. No conjunto das outras obrigações da nota 19, R$ 141,8 mi vencem em até doze meses e R$ 130,1 mi depois.

4,3nota 19, p.26
Subtotal331,2
Impostos parcelados e acordos

Impostos atrasados renegociados em parcelas, como o Profut, e dívidas antigas que o clube acertou em acordo, como processos trabalhistas e recuperação judicial, pagas ao longo de vários anos.

Parcelamentos de impostos: Profut, Receita Federal, ICMS e FGTS

O Profut, o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, soma R$ 75,2 mi. Os outros parcelamentos somam R$ 79,3 mi. Os quadros abaixo trazem o valor de cada tipo de débito do Profut e de cada um dos outros parcelamentos. A PGFN é a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O ICMS é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, e o FGTS, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. R$ 39,7 mi vencem em até doze meses e R$ 114,8 mi depois. O auditor cita esta linha em uma ênfase, que é um assunto que ele destaca sem mudar a opinião.

Profut, por tipo de débito

DébitoR$ mi
Débitos previdenciários na PGFN5,9
Débitos previdenciários na Receita Federal8,6
Outros débitos na Receita Federal50,8
Outros débitos na PGFN9,9

Outros parcelamentos

ParcelamentoR$ mi
ICMS2,0
Receita Federal76,2
FGTS1,1
154,5df p.7; nota 15, p.24
Acordos judiciais e extrajudiciais pagos em parcelas

A linha reúne acordos indenizatórios, judiciais ou não, pagos em parcelas. O valor é o original mais encargos e atualizações. Em 2024, a linha era de R$ 21,3 mi. A DF não separa esta linha por prazo. No conjunto das outras obrigações da nota 19, R$ 141,8 mi vencem em até doze meses e R$ 130,1 mi depois.

30,1nota 19, p.26
Subtotal184,6
Dívida bruta873,9
(−) Disponibilidades

Caixa e aplicações de resgate rápido, descontados da dívida bruta para chegar à dívida líquida.

Caixa e equivalentes de caixa.

(18,4)df p.7; nota 4, p.19
Dívida líquida855,5

Fora da dívida bruta: Provisão para contingências judiciais trabalhistas, cíveis e fiscais, R$ 61,8 mi (df p.7; nota 20, p.27).

A dívida não desconta R$ 51,9 mi a receber. Desse valor, R$ 46,4 mi vencem em até doze meses. Todo o valor vem da negociação de atletas (nota 5, p.19).

4.Quanto vai para quem trabalha no futebol?

R$ milhões2025Variação
sobre 2024
Gasto com pessoal

O que o clube gastou no ano com quem trabalha no futebol, atletas, comissão técnica, base e feminino: salários, encargos, benefícios, direito de imagem, direito de arena, luvas e premiações. Não entra a amortização dos contratos. Administrativo, clube social e outros esportes ficam fora; quando a demonstração não os separa, o número é do clube inteiro e leva asterisco.

2025, em R$ milhões:

  • Salários, benefícios e encargos: 211,8 (nota 23, p.29)
  • Imagem, prêmios, federações e material esportivo: 111,4 (nota 23, p.29)

* Obs: A DF lança numa única linha o direito de imagem e os prêmios dos atletas. Na mesma linha estão as taxas de federação, o material esportivo e outras despesas. A DF não diz quanto é cada uma, e a linha entra inteira neste número (nota 23, p.29). O pessoal administrativo está nas despesas gerais e fica fora.

323,2*+13,7%
Gasto com pessoal sobre receita recorrente

Quanto da receita recorrente vai para pagar o pessoal do futebol. Não se compara ao limite do SSF, que tem definições próprias e vale a partir de 2026.

2025, em R$ milhões:

Gasto com pessoal323,2nota 23, p.29
Receita recorrente÷379,5nota 22, p.28
Gasto com pessoal sobre receita recorrente=85,2%

* Obs: O gasto com pessoal inclui taxas de federação, material esportivo e outras despesas. A DF as lança numa única linha, com o direito de imagem e os prêmios.

85,2%*+14,9 p.p.
Referência do SSF

O limite que o regulador fixa para o custo com elenco em relação à receita do clube, calculada pelas regras do SSF. Vale a partir do exercício de 2026 e não se aplica aos anos anteriores.

Vale a partir do exercício de 2026

5.O que o auditor disse?

O que é o parecer do auditor

A opinião de uma empresa de auditoria independente sobre se as demonstrações financeiras representam adequadamente a situação do clube, segundo as normas contábeis.

Opinião: Sem ressalva

O auditor concluiu que as demonstrações representam adequadamente a situação da entidade, em todos os aspectos relevantes.

Parágrafos de ênfase: 4

Trecho em que o auditor chama a atenção para um assunto já divulgado nas demonstrações, sem modificar a opinião. Ênfase não é ressalva.

  • Troca de ativos entre o clube e a OAS S.A., prevista nos contratos da Arena e ainda não exercida; a DF não inclui efeitos dessa troca (notas 9 e 10).
  • PROFUT: dívidas tributárias e previdenciárias de R$ 154.527 mil, R$ 39.684 mil no circulante e R$ 114.843 mil no não circulante, com as parcelas em dia (nota 15).
  • Desequilíbrio econômico-financeiro: capital de giro negativo de R$ 382.434 mil e passivo a descoberto de R$ 175.245 mil, com geração de caixa operacional positiva de R$ 511.459 mil no ano e plano de retomada descrito na nota 1.
  • Adjudicação do direito de superfície da Arena em novembro de 2025, reconhecido como intangível, com provisão para perda de R$ 157.495 mil pelo teste de recuperabilidade, cujas premissas serão revistas anualmente (notas 1.1 e 11.6).
Conselho fiscal: parecer de 24/03/2026

Favorável, por unanimidade: as demonstrações representam adequadamente a situação patrimonial e financeira e estão em condições de ser submetidas ao Conselho Deliberativo, considerando o relatório sem ressalvas do auditor, recebido em 23/03/2026, e pareceres específicos contratados sobre os lançamentos da transação da Arena.

Fontes

Todo número desta página vem exclusivamente das demonstrações financeiras publicadas pelo próprio clube no portal de transparência dele: https://gremio.net/governanca/.

Documentos de 2025

Norma contábil: Práticas contábeis adotadas no Brasil, com a NBC ITG 2002 (R2) e a ITG 2003 (R1) segundo o relatório do auditor; as notas citam a ITG 2002 (R1) e a ITG 2003 (R2), adotada em 01/01/2024 com a baixa de R$ 47,2 mi de atletas em formação contra os déficits acumulados. Escala do documento: milhares de reais.

O meutime.net não avalia a gestão de nenhum clube. Reúne o que o próprio clube publicou, organizado pela mesma regra para todos, para que o torcedor leia os números com clareza e transparência.