
Corinthians
Sport Club Corinthians Paulista · Associação · DF de 2025 publicada em 01/05/2026 · auditoria: Parker Russell Brasil Auditores Independentes
1.Quanto o clube arrecadou?
| R$ milhões | 2025 | Variação sobre 2024 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Receita totalTudo o que o clube arrecadou com a operação no ano: as receitas do dia a dia mais a negociação de atletas. Não entram receitas financeiras, ganhos em ações judiciais, perdão de dívida, reavaliação de ativos e contratos de longo prazo reconhecidos de uma só vez. 2025, em R$ milhões:
Obs: As receitas próprias da estrutura da Neo Química Arena, controlada pelo clube e fora do balanço dele, não entram: os fundos da Arena não publicaram demonstrações de 2024 e 2025 (nota 1.2, p.46). A bilheteria dos jogos na Arena está na receita do clube (nota 19.2, p.92). | 971,1 | (12,9%) | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Receita recorrenteO que o clube arrecada todo ano com a operação, sem contar a venda de atletas: transmissão, premiações, bilheteria, sócio-torcedor, patrocínio e publicidade. Recorrente não é fixa, pois oscila com o desempenho em campo. 2025, em R$ milhões e em porcentagem da receita recorrente:
Fonte: nota 19.4, p.93; nota 19.1, p.91; nota 19.3, p.92; nota 19.2, p.92; nota 19.5, p.93; nota 19, p.91 do documento. | 863,7 | +11,2% | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Receita com negociação de atletasO que entrou com venda e empréstimo de atletas, incluindo o mecanismo de solidariedade. Varia muito de um ano para o outro. A memória de cálculo mostra o que foi descontado da venda. 2025, em R$ milhões:
Principais atletas negociados, citados pela DF (nota 24.1, p.95)
Obs: As despesas na cessão (17.298: comissões a intermediários e taxas) ficam nos custos, não descontadas aqui. | 107,4 | (68,3%) |
2.Sobrou alguma coisa da operação?
| R$ milhões | 2025 | Variação sobre 2024 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Custos e despesas da operaçãoO gasto do ano para manter o clube funcionando: pessoal, jogos, viagens e despesas administrativas e comerciais. Não entram depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para contingências, nem juros. 2025, em R$ milhões:
| 876,3 | +14,6% | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
EBITDAO resultado da operação no ano, antes de juros, impostos sobre o resultado, depreciação, amortização, baixa de atletas e provisões para contingências. Não entram receitas financeiras nem o que aconteceu fora da operação. 2025, em R$ milhões:
Obs: As outras receitas operacionais líquidas (5.545) ficam fora da operação, como em 2024, quando a mesma linha da DF traz as doações da torcida para o financiamento da Neo Química Arena. | 41,2 | (86,9%) | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
EBITDA recorrenteO EBITDA sem a receita com negociação de atletas. Mostra o que a operação do dia a dia gera, ou consome, sem vender jogador. 2025, em R$ milhões:
| (66,2) | (42,7) em R$ mi | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
EBITO resultado da operação no ano, antes de juros e impostos sobre o resultado. Ao contrário do EBITDA, desconta o custo dos atletas contratados, dividido pelos anos de contrato, o desgaste de estádio, CT e equipamentos, e as provisões para processos. Não entram receitas financeiras nem o que aconteceu fora da operação. 2025, em R$ milhões:
| (90,9) | inversão de sinal | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Resultado do exercícioO que sobrou, ou faltou, no fim do ano, depois de todas as receitas e despesas, inclusive juros e o que aconteceu fora da operação. Nas associações chama-se superávit ou déficit; nas SAFs, lucro ou prejuízo. 2025, em R$ milhões:
O déficit inclui efeitos da transação tributária com a PGFN que não passaram pelo caixa. Sem eles, o resultado seria um déficit de 360,9.
Obs: O desconto da transação é líquido: 593.299 de descontos menos 375.871 de atualização da dívida (nota 25.6, p.97–98), e é objeto de ressalva do auditor (p.27). O déficit não inclui 205.541 de ajustes de exercícios anteriores, lançados direto no patrimônio, entre eles 53.965 de novas provisões para contingências e 47.886 de correção do Regime Centralizado de Execuções (nota 18, p.90). | (143,4) | +38,3 em R$ mi |
3.Quanto o clube deve, e quanto tem em caixa?
| R$ milhões | 2025 | Variação sobre 2024 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Dívida líquidaTudo o que o clube deve, menos o dinheiro em caixa: bancos, outros clubes e agentes, fornecedores, fisco, elenco e impostos parcelados, e o dinheiro já recebido por jogos, marca ou atletas que o clube ainda vai entregar. Não desconta o que o clube tem a receber por venda de atletas. O perfil da dívida, logo abaixo, abre cada parcela. 2025, em R$ milhões:
Obs: Inclui o financiamento da Neo Química Arena na Caixa (642.782), em nome da Arena Itaquera S.A., empresa controlada pelo clube e fora do balanço dele: a DF informa o saldo (nota 3.1.1, p.61), o clube repassa as parcelas (nota 6, p.69) e dá imóveis do Parque São Jorge em garantia. Sem o financiamento, a dívida líquida seria 1.824.355. Ficam fora as provisões para contingências (226.676) e as receitas a realizar (680.242), que a nota 16 registra contra contas a receber, no valor total do contrato, sem dinheiro recebido. | 2.467,1 | +3,6% | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Caixa e equivalentesDinheiro disponível de imediato: saldo em conta e aplicações de resgate rápido. Não entram caixa restrito, vinculado a projetos, nem títulos de prazo mais longo. 2025, em R$ milhões:
Obs: O caixa subiu de 12.699 para 26.019 no ano. A operação gerou 134.373, os investimentos consumiram 94.215, quase todos em atletas, e o clube pagou 26.838 a mais de empréstimos do que captou (DFC, p.37–38). A DFC não imprime o subtotal da operação, e o auditor cita 74.275 (p.28). | 26,0 | +104,9% | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Capital de giro líquidoO que o clube tem para receber ou transformar em dinheiro nos próximos doze meses, menos o que precisa pagar no mesmo prazo. Positivo, há mais a receber do que a pagar no ano; negativo, o clube começa o ano com mais contas a pagar do que recursos de curto prazo. 2025, em R$ milhões:
Obs: A nota 1.1 registra a mesma diferença (p.39). Das obrigações de curto prazo, 280.726 são receitas a realizar de contratos de patrocínio e publicidade, que ficam fora da dívida (nota 16, p.85). | (542,8) | (26,3) em R$ mi | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Patrimônio líquidoA diferença entre tudo o que o clube tem e tudo o que deve, direto do balanço. Quando é negativo, as obrigações superam os bens e direitos registrados. Pode variar por ajustes que não passam pelo resultado, como mudança de norma contábil. 2025, em R$ milhões:
Obs: Caiu 348.982 no ano: déficit de 143.441 e 205.541 de ajustes de exercícios anteriores lançados direto no patrimônio, 98.547 de baixas de ativos e 106.994 de correções de passivos (DMPL, p.36; nota 18, p.90). Os ajustes são objeto de ressalva do auditor (p.27). | (774,2) | (349,0) em R$ mi |
Perfil da dívida em 2025
De que a dívida é feita, parcela a parcela: quanto é com bancos, quanto é com outros clubes, agentes e fornecedores, quanto é imposto parcelado, e o caixa descontado para chegar à dívida líquida.
Dívida bruta de R$ 2.493,1.
Dívidas onerosas: 892,8 (35,8%)
Empréstimos bancários e mútuos 250,0 10,0% Financiamento da Neo Química Arena 642,8 25,8% Dívidas operacionais: 445,7 (17,9%)
Fornecedores 270,7 10,9% Direitos de imagem a pagar 51,8 2,1% Salários, encargos e rescisões 107,3 4,3% Impostos correntes 3,4 0,1% Adiantamentos de clientes 12,5 0,5% Impostos parcelados e acordos: 1.154,6 (46,3%)
Transação com a PGFN 678,9 27,2% Parcelamentos federais e FGTS 74,2 3,0% Parcelamentos municipais 85,1 3,4% Plano de pagamento na CNRD 87,9 3,5% Regime Centralizado de Execuções 220,6 8,9% Acordos com agentes e intermediários 7,5 0,3% Outros passivos 0,4 0,0%
Valores em R$ milhões.
Quanto vence em até doze meses, em R$ milhões:
| Composição | Saldo em 31/12/2025, R$ mi | Evidência |
|---|---|---|
Dívidas onerosasO que o clube deve a bancos e a outros credores financeiros: empréstimos, financiamentos, debêntures e adiantamentos de recebíveis. Geram juros contratados. | ||
Empréstimos bancários e mútuosXP 151.211, Daycoval 75.262, BMG 10.998, outros bancos 7.674 e mútuos 4.887. 146.782 vencem em até doze meses e 103.250 depois. Juros: XP a CDI + 3% ao ano desde dezembro de 2025, com garantia no direito de arena e em 30% do patrocínio master; Daycoval de 1,78% a 2,68% ao mês; BMG 1,27% ao mês. | 250,0 | df p.34; nota 11, p.77–78 |
Financiamento da Neo Química ArenaNa Caixa, em nome da Arena Itaquera S.A., empresa controlada pelo clube e fora do balanço dele; saldo da nota 3.1.1, que as notas 1.2 c e 6 escrevem como R$ 642 milhões. Prazo até dezembro de 2041, a CDI + 2% ao ano, com garantia nos naming rights, em parte da bilheteria e em imóveis do Parque São Jorge. A DF não separa por prazo. | 642,8 | nota 3.1.1, p.61; notas 1.2 c e 6, p.45 e p.70 |
| Subtotal | 892,8 | |
Dívidas operacionaisO que o clube deve por operar: parcelas de compra de atletas a outros clubes e agentes, fornecedores, salários e encargos, impostos correntes, direitos de imagem e o dinheiro já recebido por jogos, marca ou atletas que o clube ainda vai entregar: TV, patrocínio, sócio-torcedor, camarotes e atletas vendidos que ainda não se transferiram. | ||
FornecedoresIntermediação 80.572, compra de atletas 63.581, serviços 42.249, premiações 29.264, repasses de direitos econômicos 24.646, luvas 15.605 e operacionais 14.747. 233.476 vencem em até doze meses e 37.188 depois; 89.528 estavam vencidos havia mais de 180 dias. Os saldos com clubes incluem as dívidas que levaram à restrição de registro de atletas pela FIFA, quitadas em janeiro de 2026. | 270,7 | df p.34; nota 10, p.74–77 |
Direitos de imagem a pagarContratos de imagem de atletas e comissão técnica, tudo classificado em até doze meses: 9.471 a vencer e 42.359 vencidos, 35.950 deles havia mais de 180 dias. Registrados pelo valor contratual, sem ajuste a valor presente, por estarem no Regime Centralizado de Execuções. | 51,8 | df p.34; nota 12, p.79 |
Salários, encargos e rescisõesTributos sobre a folha 65.815, rescisões a pagar 16.963, férias e 13º 13.445, salários 10.767 e benefícios 316. Tudo vence em até doze meses. Eram 198.078 em 2024; parte dos tributos sobre a folha foi levada à transação com a PGFN. | 107,3 | df p.34; nota 13, p.79–80 |
Impostos correntesObrigações tributárias do balanço, tudo em até doze meses. Sem nota explicativa. | 3,4 | df p.34 |
Adiantamentos de clientesReceitas do Campeonato Paulista de 2026 recebidas antes da competição, da Federação Paulista de Futebol; classificadas em até doze meses e levadas ao resultado conforme o clube disputa a competição. | 12,5 | nota 15.2, p.85 |
| Subtotal | 445,7 | |
Impostos parcelados e acordosImpostos atrasados renegociados em parcelas, como o Profut, e dívidas antigas que o clube acertou em acordo, como processos trabalhistas e recuperação judicial, pagas ao longo de vários anos. | ||
Transação com a PGFNTransação que juntou Profut, PERSE e outros débitos federais: 1.272.228 consolidados, com descontos de 593.299; as notas datam a assinatura em 02/01/2026, e o auditor, em 02/02/2026. Previdenciário 110.790 em 60 parcelas, demais débitos federais 552.363 em 120 e FGTS 15.776 em 60, a partir de fevereiro de 2026, com garantia em imóvel do Parque São Jorge. 80.549 vencem em até doze meses e 598.380 depois. | 678,9 | df p.34; nota 14.3, p.81–84 |
Parcelamentos federais e FGTSReceita Federal 48.343 (PIS, INSS e IRRF de junho a novembro de 2025, em 60 parcelas desde dezembro de 2025) e FGTS na Caixa, parcelado em 2022 e fora da transação com a PGFN. 16.169 vencem em até doze meses e 58.008 depois, pela diferença entre o curto prazo de todos os parcelamentos e o das outras linhas. | 74,2 | nota 14.1, p.80–81 |
Parcelamentos municipaisTransação de débitos municipais 44.543 (ISS de bilheteria de 2014 a 2018 e outros, em 120 parcelas desde julho de 2024) e PPI da Prefeitura de São Paulo 40.604 (IPTU e ISS de 2004 a 2013, em 120 parcelas), ambos pela Selic. 11.297 vencem em até doze meses e 73.850 depois. | 85,1 | nota 14.2, p.81 |
Plano de pagamento na CNRDPlano coletivo homologado em abril de 2025 com 37 credores, por transferências de atletas, intermediação e disputas trabalhistas desportivas: 24 parcelas trimestrais de julho de 2025 a abril de 2031, corrigidas pelo IPCA e sem juros; duas pagas em 2025. 27.823 vencem em até doze meses e 60.082 depois. | 87,9 | df p.34; nota 15.1, p.84–85 |
Regime Centralizado de ExecuçõesProvisão para os créditos da lista do administrador judicial no RCE cível, com 29.624 de atualização pela Selic; plano homologado em janeiro de 2026, com 190.959 habilitados e pagamentos desde março de 2026, de 4% a 20% das receitas mensais. A DF classifica toda a provisão no não circulante. | 220,6 | nota 17.5, p.88–89 |
Acordos com agentes e intermediáriosMultas contratuais, saldos de direito de imagem e comissões de intermediação com pagamento parcelado. Tudo em até doze meses: das outras contas a pagar, só o plano da CNRD tem parcela depois de doze meses. | 7,5 | nota 15.3, p.85 |
Outros passivosTudo em até doze meses: das outras contas a pagar, só o plano da CNRD tem parcela depois de doze meses. | 0,4 | nota 15, p.84 |
| Subtotal | 1.154,6 | |
| Dívida bruta | 2.493,1 | |
(−) DisponibilidadesCaixa e aplicações financeiras de resgate rápido, deduzidos da dívida bruta para chegar à dívida líquida. Recursos em caixa (145) + recursos em bancos (18.613) + aplicações financeiras (7.261). | (26,0) | df p.33; nota 4, p.65 |
| Dívida líquida | 2.467,1 | |
Fora da dívida bruta: Receitas a realizar: patrocínios 331.723, publicidade estática 224.204, luvas de patrocínio da Nike 100.000, licenciamentos 23.666 e outras 649, R$ 680,2 mi (df p.34; nota 16, p.85); Provisões para contingências fora do RCE: cíveis 123.211, CAS/FIFA 80.144, tributárias 12.567 e trabalhistas 10.753, R$ 226,7 mi (df p.34; nota 17, p.87).
Não descontado da dívida, por ser valor a receber: contas a receber de 808.602, 393.398 no circulante e 415.204 no não circulante, líquidas da provisão para perdas (70.048); a venda de atletas responde por 114.544, 114.163 no circulante e 381 no não circulante (nota 5, p.65; nota 5.2, p.68).
4.Quanto vai para quem trabalha no futebol?
| R$ milhões | 2025 | Variação sobre 2024 | ||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Gasto com pessoalO que o clube gastou no ano com quem trabalha no futebol, atletas, comissão técnica, base e feminino: salários, encargos, benefícios, direito de imagem, direito de arena, luvas e premiações. Não entra a amortização dos contratos. Administrativo, clube social e outros esportes ficam fora quando a demonstração os separa; quando não separa, o número é do pessoal do clube inteiro e leva um asterisco, explicado na observação. Onde a demonstração separa os segmentos do futebol, a explicação mostra quanto é de cada um. 2025, em R$ milhões:
* Obs: A DF não separa o pessoal por área, e a linha traz o pessoal inteiro do clube, com o clube social e a administração. A nota 20 não tem linhas próprias de direito de arena e luvas. | 571,2* | +33,2% | ||||||||||||
Gasto com pessoal sobre receita recorrenteQuanto da receita recorrente vai para pagar o pessoal do futebol: gasto com pessoal dividido pela receita recorrente. Não se compara ao limite do SSF, que tem definições próprias e vale a partir de 2026. 2025, em R$ milhões:
* Obs: O gasto com pessoal é do clube inteiro, porque a DF não separa o futebol. | 66,1%* | +10,9 p.p. | ||||||||||||
Referência do SSFO limite que o regulador fixa para o custo com elenco em relação às Receitas Relevantes. Vale a partir do exercício de 2026 e não se aplica aos anos anteriores. | Vale a partir do exercício de 2026 | |||||||||||||
5.O que o auditor disse?
O que é o parecer do auditor
A opinião de uma empresa de auditoria independente sobre se as demonstrações financeiras representam adequadamente a situação do clube, segundo as normas contábeis.
Opinião: Com ressalva
O auditor encontrou um ou mais pontos que não pôde confirmar ou com os quais discorda, mas que não invalidam o conjunto das demonstrações.
No parecer de 2025: “Em nossa opinião, exceto pelo descrito na seção ‘Base para opinião com ressalvas’, as demonstrações contábeis apresentam adequadamente a posição patrimonial e financeira do Clube em 31 de dezembro de 2025, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil” (p.26).
O auditor lista 4 motivos, nas p.26 a 27 do relatório.
Ver os 4 motivos
- “Operação Estruturada – Estádio Neo Química Arena, insuficiência de informações para avaliação e divulgação nas demonstrações financeiras” (p.26)
- “Parcelamento PGFN – não adoção do princípio da competência no reconhecimento dos efeitos da Transação Individual PGFN” (p.27)
- “Ausência de controles e de mensuração contábil adequados das rubricas de caixa, fornecedores a pagar, exploração de direitos de imagem e adiantamentos diversos” (p.27)
- “Registro contábil incorreto de ajustes de exercícios anteriores no patrimônio líquido do Clube e ausência de reapresentação das demonstrações financeiras comparativas” (p.27)
“Incerteza relevante sobre a continuidade operacional do Clube” (p.28)
“Conforme mencionado na nota explicativa nº 1.1, o Clube vem apresentando patrimônio líquido negativo (passivo a descoberto) de R$ 774.195 mil (R$ 425.212 mil em 2024), déficits acumulados recorrentes de R$ 1.244.644 mil (R$ 897.342 mil em 2024), capital de giro negativo no montante de R$ 542.762 mil (R$ 670.184 mil em 2024) e geração de caixa operacional de R$ 74.275 mil (R$ 143.026 mil em 2024). A Administração vem adotando, dentre outras, medidas como a renegociação de dívidas tributárias, conforme “Termo de Transação Individual” firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), bem como a aprovação do Regime Centralizado de Execução Civil (RCE Civil). O restabelecimento da rentabilidade do Clube, o retorno ao patrimônio líquido positivo e o incremento da geração de caixa das atividades operacionais, de modo a mitigar o risco de descontinuidade operacional, dependem da implementação bem-sucedida das ações estratégicas e de governança mencionadas na nota explicativa nº 1 – Contexto Operacional. Essas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional do Clube. Nossa opinião não está modificada em relação a esse assunto.”
“Outros assuntos” (p.29)
“O balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2024 e as demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa, bem como as respectivas notas explicativas para o exercício findo naquela data, apresentados como valores correspondentes nas demonstrações financeiras do exercício corrente, foram anteriormente auditados por outros auditores independentes, que emitiram relatório em 18 de abril de 2025, contendo modificação de opinião em relação aos seguintes assuntos: (i) O Clube reconheceu no exercício de 2024 valores relevantes relacionados a autos de infração e multas de ISS, acrescidos de encargos do PROFUT, no montante de R$ 106.240 mil, bem como provisões para contingências no valor de R$ 85.056 mil, dos quais R$ 56.233 mil referem-se a fatos geradores de exercícios anteriores. Tais valores foram registrados sem a devida reapresentação das demonstrações financeiras comparativas, em desacordo com o CPC 23; (ii) o Clube, na condição de controlador integral da estrutura relacionada à Neo Química Arena, por meio de participações diretas e indiretas em fundos de investimento (Arena FII e FIP), não apresentou demonstrações financeiras consolidadas, tampouco reapresentou informações comparativas que refletissem adequadamente essa estrutura, em desacordo com o CPC 36 (R3); com parágrafo de ênfase em relação ao seguinte assunto: Adesão ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (PROFUT) e ao PERSE e por fim, com parágrafo de Incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional do clube.”
Ver o texto completo
“Operação Estruturada – Estádio Neo Química Arena, insuficiência de informações para avaliação e divulgação nas demonstrações financeiras” (p.26)
“Conforme descrito nas notas explicativas nº 1.2, alínea “b”, nº 2.1, alínea “h”, e nº 2.2, alínea “g”, o Clube estruturou operação para controle e geração de benefícios econômicos sobre os direitos do Estádio Neo Química Arena, por meio de fundos de investimento e entidades identificadas como FIP Corinthians, Arena FII, Arena Itaquera S.A., SPE UPI Arena S.A. e SPE Arena. Não foram apresentados laudos de avaliação (valuation) da operação estruturada para a data-base de 31 de dezembro de 2025, nem relatórios de auditoria independente dos fundos de investimento e das entidades envolvidas. Adicionalmente, as notas explicativas do Clube não apresentam informações quantitativas e qualitativas suficientes para o adequado entendimento da geração de benefícios econômicos futuros dessa operação estruturada. Consequentemente, o montante de R$ 96 mil apresentado como “Investimentos – Fundo Imobiliário” não reflete adequadamente a mensuração contábil do ativo do Clube relacionado à referida operação estruturada.”
“Parcelamento PGFN – não adoção do princípio da competência no reconhecimento dos efeitos da Transação Individual PGFN” (p.27)
“Conforme mencionado nas notas explicativas nº 14.3 e nº 26.6, os débitos relativos ao PROFUT, PERSE e parcelamentos rescindidos, dentre outros, que somavam R$ 1.272.228 mil, foram integralmente consolidados e migrados para acordo denominado “Transação Individual PGFN”, com o reconhecimento, no resultado do exercício, na rubrica de receitas financeiras, do montante de R$ 593.299 mil, decorrente do deságio da dívida consolidada, conforme referido acordo. No entanto, o Clube obteve a aprovação, pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, do referido acordo, com fundamento na Lei nº 13.988/2020 e na Portaria PGFN nº 6.757/2022 (Processo SEI nº 19839.006459/2025-59), em 2 de fevereiro de 2026, data de sua efetiva assinatura, com efeitos a partir dessa data. Consequentemente, em 31 de dezembro de 2025, o saldo de impostos parcelados no passivo encontra-se subavaliado, e o patrimônio líquido e o resultado do exercício encontram-se superavaliados, no montante de R$ 593.299 mil.”
“Ausência de controles e de mensuração contábil adequados das rubricas de caixa, fornecedores a pagar, exploração de direitos de imagem e adiantamentos diversos” (p.27)
“Conforme descrito nas notas explicativas nº 4, nº 10 e nº 12, o Clube registra, na rubrica de caixa, o montante de R$ 145 mil, bem como, no passivo, saldos relativos a fornecedores a pagar e à exploração de direitos de imagem, nos montantes de R$ 270.664 mil e R$ 51.830 mil, respectivamente. Para tais rubricas, não há controles operacionais adequados relacionados à atualização monetária dos valores, à identificação de passivos correlatos, às movimentações financeiras vinculadas ao caixa e aos respectivos adiantamentos, comprometendo, consequentemente, a adequada apresentação das demonstrações financeiras do Clube. Em decorrência dessas limitações, não obtivemos evidência de auditoria adequada e suficiente sobre as referidas rubricas, tampouco sobre sua adequada apresentação nas demonstrações financeiras do Clube para o exercício findo em 31 de dezembro de 2025.”
“Registro contábil incorreto de ajustes de exercícios anteriores no patrimônio líquido do Clube e ausência de reapresentação das demonstrações financeiras comparativas” (p.27)
“Conforme mencionado na nota explicativa nº 18 — “Ajustes de Exercícios Anteriores” — o Clube realizou diversos ajustes contábeis em rubricas de ativo e passivo, com o intuito de ajustar saldos em diferentes contas das demonstrações financeiras do exercício findo em 31 de dezembro de 2024, no montante de R$ 205.541 mil. Tais ajustes foram registrados diretamente no patrimônio líquido, em conta específica intitulada “Déficit Acumulado”, no exercício social findo em 31 de dezembro de 2025, sem a devida reapresentação das demonstrações financeiras do exercício findo em 31 de dezembro de 2024. Essa prática está em desacordo com o CPC 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro, que requer a reapresentação retrospectiva das demonstrações financeiras comparativas.”
Parágrafos de ênfase: 1
Trecho em que o auditor chama a atenção para um assunto já divulgado nas demonstrações, sem modificar a opinião. Ênfase não é ressalva.
- Relações e transações com partes relacionadas (p.28).
Fontes
Todo número desta página vem exclusivamente das demonstrações financeiras publicadas pelo próprio clube no portal de transparência dele: https://www.corinthians.com.br/clube/transparencia/demonstracoes-financeiras-e-balancetes-patrimoniais.
Documento de 2025
- Sport Club Corinthians Paulista – Demonstrações Financeiras 2025 · Página do portal
Detalhes do arquivo
Sport Club Corinthians Paulista. Publicado em 01/05/2026. Carta do presidente (p.4–5), história do clube (p.7–8), relatório da gestão (p.10–24), relatório dos auditores independentes (p.26–31, em imagem), balanço (p.33–34), DRE (p.35), DMPL (p.36), DFC (p.37–38) e notas explicativas (p.39–104), num arquivo de 104 páginas. Sem DRA, DVA e parecer do conselho fiscal. Páginas: Nas demonstrações e notas a folha imprime 23 a menos que a página do arquivo: o balanço está na p.33 e traz impresso 10. O relatório da gestão imprime o mesmo número da página; o dos auditores tem numeração própria, de 2 a 7.
Norma contábil: Práticas contábeis adotadas no Brasil: Lei 6.404/76 no que for aplicável, CPCs, NBC TG 1000 (R1), ITG 2002 (R1), ITG 2003 (R2) e OTG 2003, segundo a nota 2.1; o auditor cita as práticas contábeis adotadas no Brasil. Escala do documento: milhares de reais.
O meutime.net não avalia a gestão de nenhum clube. Reúne o que o próprio clube publicou, organizado pela mesma regra para todos, para que o torcedor leia os números com clareza e transparência.
