
Arena Fonte Nova
Operado pela Fonte Nova Negócios e Participações S.A. · DF de 2024 publicada em 28/03/2025 · auditoria: BDO RCS
1.Quanto a operação faturou?
Fica na operação do estádio: bilheteria dos jogos, camarotes e cadeiras, shows e eventos, patrocínio e naming rights, estacionamento e alimentação e parcela do Estado pela operação.
Fica com o clube: sócio-torcedor, parte das receitas de patrocínio da arena e o que a operação paga pelos jogos.
| R$ milhões | 2024 | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
Receita da operaçãoO que a operação do estádio faturou no ano, já sem os impostos sobre a venda: a exploração da arena, com a bilheteria dos jogos, e a parte da parcela do Estado que paga a operação. Não inclui a correção do valor da obra que o Estado ainda deve.
Fonte: DRE e nota 19. Obs: Inclui a bilheteria dos jogos do Bahia, que a operação vende; o clube recebe da operação pelo contrato de jogos. | 73,9 |
2.Sobrou alguma coisa da operação?
| R$ milhões | 2024 | ||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Custos e despesas da operaçãoO que a operação gastou para funcionar: os jogos do Bahia, o repasse de 10% da receita ao Estado, a parte do Bahia no patrocínio, pessoal, serviços e administração. A depreciação e as provisões para processos ficam fora. Dos custos e despesas, R$ 29,8 mi são gasto com pessoal e R$ 56,0 mi, os demais (nota 21). | 85,8 | ||||||||||||||
EBITDAO que sobra da receita depois dos custos e despesas da operação, antes da depreciação, dos juros e dos impostos sobre o lucro.
Fonte: DRE, notas 19 a 21 e fluxo de caixa. | (11,9) | ||||||||||||||
Margem EBITDAQuanto do que a operação faturou virou EBITDA. EBITDA de R$ (11,9) mi ÷ receita da operação de R$ 73,9 mi. | (16,1%) | ||||||||||||||
Outorga fixa paga no anoO que foi pago no ano ao dono do estádio pela parte fixa da outorga. Obs: O dono do estádio é o Estado da Bahia, e é ele que paga à operação: uma parcela mensal pela obra e pela operação, até março de 2028. Não há outorga a pagar; a operação repassa ao Estado 10% da receita de cada ano, que está nos custos. | Não se aplica ao modelo | ||||||||||||||
Resultado líquidoO lucro ou o prejuízo da empresa que opera o estádio, depois de todas as despesas, dos juros e dos impostos sobre o lucro.
Fonte: DRE, notas 19 e 22 e fluxo de caixa. | (11,2) |
3.Quanto a operação investiu, quanto deve e quanto tem?
| R$ milhões | 2024 | ||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Investimento no anoO que a operação pagou no ano em obras e equipamentos do estádio, o chamado CAPEX. Fonte: fluxo de caixa. | 36,7 | ||||||||||
Dívida líquidaEmpréstimos e financiamentos menos o caixa. Fica negativa quando o caixa é maior que a dívida. Obs: O último financiamento da obra, do fundo estadual FUNDESE, vence em 15/01/2026; o do Banco do Nordeste foi quitado em dezembro de 2025 (nota 12).
Fonte: balanço e notas 5, 6, 9 e 12. | (9,9) | ||||||||||
Obrigação com o dono do estádioO que a operação ainda deve a quem é dono do estádio pelo contrato, trazido a valor de hoje. Obs: O dono do estádio é o Estado da Bahia, e é ele que paga à operação: uma parcela mensal pela obra e pela operação, até março de 2028. Não há outorga a pagar; a operação repassa ao Estado 10% da receita de cada ano, que está nos custos. | Não se aplica ao modelo | ||||||||||
Receitas recebidas antes da entregaDinheiro que a operação já recebeu por serviço que ainda vai entregar, como patrocínio e camarotes, menos o que ainda falta receber desses contratos.
Fonte: balanço e nota 7. | 5,5 | ||||||||||
Empréstimos do clube à operaçãoO que a operação deve aos clubes sócios por dinheiro emprestado, fora o capital. Obs: O Bahia não é sócio da operação, que é da Novonor Properties e da E² Arenas, metade cada uma. | Não se aplica ao modelo |
4.O que passou entre a operação e os clubes?
| 2024 | |
|---|---|
Pagou pelo uso do estádioO valor que a operação cobrou do clube no ano pelo uso do estádio nos jogos, pago ou não. Obs: Pela DF do Bahia, o clube paga aluguel do estádio e repassa à operação parte do programa de sócios, sem dizer quanto. Fonte: DF da Fonte Nova, nota 19 (2025) e nota 20 (2024); DF do Bahia, notas de receita e custos. | Não detalhado na DF |
Recebeu repasse de receitasA parte das receitas da arena que a operação repassou no ano ao clube. Obs: É a parte do Bahia nas receitas de patrocínio da arena. A operação também paga os custos dos jogos do Bahia pelo contrato entre os dois, sem separar quanto vai ao clube (nota 19). Na DF: R$ 3.923 mil. Fonte: DF da Fonte Nova, nota 19 (2025) e nota 20 (2024); DF do Bahia, notas de receita e custos. | 3,9 |
Recebeu em dividendosA parte do lucro do ano que a operação destinou ao clube, paga ou não. Fonte: DF da Fonte Nova, nota 19 (2025) e nota 20 (2024); DF do Bahia, notas de receita e custos. | Não se aplica ao modelo |
Aportou de capitalO dinheiro que o clube pôs como capital na empresa que opera o estádio. Fonte: DF da Fonte Nova, nota 19 (2025) e nota 20 (2024); DF do Bahia, notas de receita e custos. | Não se aplica ao modelo |
Emprestou à operaçãoO dinheiro que o clube pôs na operação como empréstimo no ano, fora o capital. Fonte: DF da Fonte Nova, nota 19 (2025) e nota 20 (2024); DF do Bahia, notas de receita e custos. | Não se aplica ao modelo |
5.O que o auditor disse?
Opinião: Sem ressalvaO auditor concluiu que as demonstrações representam adequadamente a situação da entidade, em todos os aspectos relevantes. | relatório de 27/03/2025 |
Ênfase - Investigações e outros procedimentos legais conduzidos pelo Ministério Público Federal e outras autoridades públicasConforme descrito na Nota Explicativa n°1(c) e 1(d) às demonstrações contábeis, e como é de conhecimento público, encontram-se em andamento, desde 2014, investigações e outros procedimentos legais conduzidos pelo Ministério Público Federal e outras autoridades públicas, no contexto da denominada Operação Lava Jato, que envolvem ex-executivos e empresas do Grupo Novonor e Grupo Metha (atuais denominações do Grupo Odebrecht e do Grupo OAS), controladoras em conjunto da Companhia. Os referidos Grupos assinaram Acordo de Leniência com o poder público se comprometendo a pagar os montantes de R$ 1.929.257 e R$ 310.174, e R$ 3.828.000, Grupo Metha e Grupo Novonor, respectivamente, como penalidades decorrentes do resultado destas investigações. A diretoria, neste momento, entende que possíveis efeitos desses acordos firmados pelos citados grupos econômicos, não deverão afetar significativamente a Companhia. Em virtude dessas investigações ainda estarem em curso e por existirem incertezas quanto ao possível envolvimento da Companhia nos atos ilícitos que abrangem suas controladoras, não foram consideradas nas demonstrações contábeis, quaisquer impactos do desfecho desse processo. Nossa opinião não está ressalvada em função desse assunto. Relatório do auditor, nas palavras dele. | |
Ênfase - Contrato de Parceria Público-Privada com o Estado da BahiaChamamos a atenção para a Nota Explicativa n°01(e) às demonstrações contábeis, que menciona o envolvimento da Companhia como polo passivo no Processo TCE/000490/2010, movido pelo Plenário do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), alegando a existência de irregularidades envolvendo a licitação que originou o contrato de concessão firmado entre a Companhia e o Governo do Estado da Bahia. Até a data deste relatório, as decisões emitidas pelo TCE - BA, não contemplaram a execução de quaisquer medidas cautelares que poderiam reduzir o valor da contraprestação pública recebida do Poder Concedente ou impedir a continuidade do Contrato de Parceria Público-Privada. Por essa razão, não foram constituídas provisões para passivos ou impairment de ativos que reflitam eventuais impactos do desfecho desse processo. Nossa opinião não está ressalvada em função desse assunto. Relatório do auditor, nas palavras dele. | |
6.O contrato
- Dono do estádio
- Estado da Bahia (Contrato 02/2010; DF 2025, nota 1(e))
- Quem opera
- Fonte Nova Negócios e Participações S.A., da Novonor Properties Parcerias S.A. (em recuperação judicial) e da E² Arenas S.A., do grupo Metha, metade cada uma (DF 2025, notas 1 e 17)
- Tipo de contrato
- Parceria público-privada, na modalidade concessão administrativa, para reconstruir, operar e manter o estádio (Contrato 02/2010; DF 2025, nota 1(e))
- Poder concedente
- Estado da Bahia, pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Contrato 02/2010)
- Início
- Contrato assinado em 21/01/2010; operação desde abril de 2013 (DF 2025, nota 1(e))
- Prazo
- Até 31/03/2028, pelo aditivo 5, de 26/10/2021; o prazo original era de 35 anos (DF 2025, nota 1(e); aditivo 5)
- O que se paga ao dono do estádio
- 10% da receita operacional líquida de cada ano, desde o aditivo 5 (DF 2025, notas 1(e) e 19)
- O que o dono do estádio paga à operação
- Parcela mensal corrigida pelo IPCA até março de 2028, pela obra e pela operação: R$ 102,3 milhões por ano desde o aditivo 5, antes R$ 180,9 milhões (DF 2025, notas 1(e) e 8)
- Preço dos jogos para os clubes
- Não detalhado na DF
- Naming rights
- Sem patrocinador no nome: o estádio se apresenta como Arena Fonte Nova (site da Arena Fonte Nova, 28/09/2026)
- Clubes que mandam jogos
- Bahia (DF 2025, nota 19)
- Inauguração
- Abril de 2013; obras concluídas em 05/04/2013 (DF 2025, nota 1(e); aditivo 5)
- Capacidade
- Cerca de 50 mil lugares (Contrato 02/2010, premissas do plano de negócios, repetidas no aditivo 5)
Fontes
Todo número desta página vem exclusivamente das demonstrações financeiras publicadas pela própria Fonte Nova Negócios e Participações; a ficha do contrato vem também do contrato e dos aditivos publicados pelo Estado da Bahia.
- Demonstrações financeiras de 2024 da Fonte Nova Negócios e Participações, publicadas no Diário Oficial da Bahia · site da Arena Fonte Nova, página Demonstrações Financeiras · publicada em 28/03/2025 · auditoria BDO RCS, relatório de 27/03/2025, opinião sem ressalva
- Contrato 02/2010 de parceria público-privada e aditivos, publicados pelo Estado da Bahia · Secretaria da Fazenda da Bahia, página da PPP
Valores em milhões de reais, como publicados, sem correção pela inflação; as demonstrações estão em milhares de reais.
O meutime.net não avalia a gestão de nenhum estádio nem de nenhum clube. Reúne o que a própria empresa que opera o estádio publicou, organizado pela mesma regra para todos, para que o torcedor leia os números com clareza e transparência.
