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Arena das Dunas

Operado pela Arena das Dunas Concessão e Eventos S.A. · DF de 2024 publicada em 06/06/2025 · auditoria: Audicont

1.Quanto a operação faturou?

Fica na operação do estádio: jogos e eventos, publicidade e naming rights, locação de espaços e áreas comerciais e parcela do Estado pela operação.
Fica com os clubes que mandam jogos: a renda dos jogos, fora o aluguel que pagam à arena. A DF não diz quanto cada clube paga.

R$ milhões2024
Receita da operação

O que a operação do estádio faturou no ano, já sem os impostos sobre a venda: jogos, eventos, publicidade e locação de espaços, e a parte da parcela do Estado que paga a operação. Não inclui a correção do valor da obra que o Estado ainda deve.

R$ milhões · a porcentagem é a parte da receita bruta · notas 13 e 18

Exploração da arena: jogos, eventos, publicidade e locação de espaços5,9 · 14,6%
Parte da parcela do Estado que paga a operação34,4 · 85,4%
Receita bruta40,3
Impostos sobre a venda(7,7)
Receita da operação32,6

Fonte: DRE, notas 13 e 18.

Obs: A DF não separa os impostos de cada receita. Os da correção da obra saem pela alíquota que a própria DF usa sobre o valor da obra, 14,25% (notas 13 e 19).

32,6

2.Sobrou alguma coisa da operação?

R$ milhões2024
Custos e despesas da operação

O que a operação gastou para funcionar: serviços de terceiros, manutenção, pessoal, a metade das receitas de exploração que cabe ao Estado e administração. A depreciação e as provisões para processos ficam fora.

R$ milhões · a porcentagem é a parte dos custos e despesas · notas 19 e 20

Serviços de terceiros26,9 · 47,0%
Manutenção e reparos11,8 · 20,6%
Metade das receitas de exploração, que cabe ao Estado2,9 · 5,1%
Despesas gerais e administrativas16,9 · 29,5%
  • Pessoal: R$ 6,3 mi
  • Aluguéis: R$ 3,2 mi
  • Água e energia: R$ 1,9 mi
  • Limpeza e conservação: R$ 1,3 mi
  • Outras: R$ 4,2 mi
Contratos com clubes, que a DF lança reduzindo os custos(1,3) · -2,3%

Dos custos e despesas, R$ 6,3 mi são gasto com pessoal e R$ 50,9 mi, os demais (nota 19).

57,2
EBITDA

O que sobra da receita depois dos custos e despesas da operação, antes da depreciação, dos juros e dos impostos sobre o lucro.

Receita da operação32,6
Custos e despesas da operação(57,2)
EBITDA(24,6)

Fonte: DRE e notas 18 a 20.

(24,6)
Margem EBITDA

Quanto do que a operação faturou virou EBITDA.

EBITDA de R$ (24,6) mi ÷ receita da operação de R$ 32,6 mi.

(75,6%)
Outorga fixa paga no ano

O que foi pago no ano ao dono do estádio pela parte fixa da outorga.

Obs: O dono do estádio é o Estado do Rio Grande do Norte, e é ele que paga à operação: uma parcela mensal pela obra e pela operação, até outubro de 2031. Não há outorga a pagar; a metade das receitas de exploração que cabe ao Estado está nos custos, e o Estado não a cobra desde 2022 (nota 14).

Não se aplica ao modelo
Resultado líquido

O lucro ou o prejuízo da empresa que opera o estádio, depois de todas as despesas, dos juros e dos impostos sobre o lucro.

EBITDA(24,6)
Correção do valor da obra que o Estado ainda deve, sem impostos31,8
Depreciação(0,5)
Provisões para processos(6,5)
Resultado financeiro(26,5)
Imposto de renda e contribuição social(12,3)
Resultado líquido(38,6)

Fonte: DRE, notas 13, 18 a 22 e fluxo de caixa.

Obs: O resultado financeiro é quase todo a correção do IPTU que a Prefeitura de Natal cobra da operação e que ela contesta na Justiça (notas 16 e 21).

(38,6)

3.Quanto a operação investiu, quanto deve e quanto tem?

R$ milhões2024
Investimento no ano

O que a operação pagou no ano em obras e equipamentos do estádio, o chamado CAPEX.

Fonte: fluxo de caixa.

0,8
Dívida líquida

Empréstimos e financiamentos menos o caixa. Fica negativa quando o caixa é maior que a dívida.

Obs: A nota comercial de R$ 5 milhões, tomada em janeiro de 2025 a 3,5% ao mês, venceu em julho de 2025 sem ser paga (nota 11).

Caixa e aplicações(37,7)
Dívida líquida(37,7)

Fonte: balanço e nota 3.

(37,7)
Obrigação com o dono do estádio

O que a operação ainda deve a quem é dono do estádio pelo contrato, trazido a valor de hoje.

Obs: O dono do estádio é o Estado do Rio Grande do Norte, e é ele que paga à operação: uma parcela mensal pela obra e pela operação, até outubro de 2031. Não há outorga a pagar; a metade das receitas de exploração que cabe ao Estado está nos custos, e o Estado não a cobra desde 2022 (nota 14).

Não se aplica ao modelo
Receitas recebidas antes da entrega

Dinheiro que a operação já recebeu por serviço que ainda vai entregar, como patrocínio e camarotes, menos o que ainda falta receber desses contratos.

Naming rights a reconhecer5,1
A receber do mesmo contrato(4,8)
Receitas recebidas antes da entrega0,3

Fonte: balanço e notas 4 e 15.

0,3
Empréstimos do clube à operação

O que a operação deve aos clubes sócios por dinheiro emprestado, fora o capital.

Obs: Nenhum clube é sócio da operação, que é da E2 Arenas, do grupo Metha.

Não se aplica ao modelo

4.O que passou entre a operação e os clubes?

A Arena das Dunas recebe jogos de clubes do Rio Grande do Norte, que não estão entre os acompanhados atualmente pelo portal. A DF registra os contratos com esses clubes numa linha só, que reduz os custos, sem dizer quais são (nota 19).

5.O que o auditor disse?

Opinião: Sem ressalva

O auditor concluiu que as demonstrações representam adequadamente a situação da entidade, em todos os aspectos relevantes.

relatório de 20/05/2025
Ênfase - Contrato de Parceria Público-Privada com o Estado do Rio Grande do Norte

Conforme mencionado na Nota Explicativa nº 5 sobre as demonstrações financeiras, em 11 de julho de 2016, o Estado do Rio Grande do Norte ajuizou ação visando a suspensão dos pagamentos da contraprestação financeira do Contrato nº 01/2011 da Companhia. Nesse contexto, o Juízo da 5ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal citou a Companhia para apresentar contestação e igualmente a notificou acerca do deferimento de pedido para que o Estado depositasse em juízo pagamento que seria realizado em 12 de julho de 2016, para em seguida deferir a suspensão total dos pagamentos da contraprestação pública. Em 16 de agosto de 2016, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte (“TJ-RN”) reformou a decisão anterior e determinou o pagamento do equivalente a 75% da contraprestação contratada, enquanto permanecem as discussões no âmbito do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (“TCE-RN”), por ser este o percentual que entendeu incontroverso, baseando-se no apontado no relatório do TCE-RN. Conforme mencionado na Nota Explicativa nº 5, as demonstrações financeiras, referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2024, incluem o reconhecimento de provisão para recuperabilidade do ativo objeto da concessão, no montante de R$ 228.331 mil. Nossa opinião não contém ressalva relacionada a esse assunto.

Relatório do auditor, nas palavras dele.

Ênfase - Acordos da controladora indireta com órgãos governamentais

Conforme mencionado na Nota Explicativa nº 25 sobre as demonstrações financeiras, empresas que fazem ou fizeram parte do Grupo METHA (atual denominação do Grupo OAS) celebraram acordo de leniência com a Controladoria-Geral da União (CGU) e Advocacia-Geral da União (AGU), e acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), decorrentes do processo de investigações realizadas desde o exercício de 2014 no âmbito da Operação Lava Jato. Nesses acordos, o Grupo assumiu o compromisso pelo pagamento dos montantes de R$ 1.929.258 mil e R$ 310.174 mil, respectivamente. A Administração entende que possíveis efeitos desses acordos não deverão afetar significativamente as demonstrações financeiras da Companhia. Nossa opinião não contém ressalva relacionada a esse assunto.

Relatório do auditor, nas palavras dele.

Ênfase - Continuidade

Conforme mencionado na Nota Explicativa nº 1, no exercício de 2024, a Companhia apurou prejuízo no montante de R$ 38.588 mil, o que tornou seu patrimônio líquido negativo (Passivo a Descoberto) em R$ 11.525 mil. O resultado do exercício e o patrimônio líquido foram substancialmente afetados pelo incremento na provisão para perda em processo judicial relacionado ao Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU, conforme descrito na Nota Explicativa nº 17, no montante de R$ 31.150 mil. Para reverter essa situação, a Administração vem discutindo com a Prefeitura Municipal de Natal o não pagamento ou a redução do referido tributo, além de buscar alternativas para incrementar as receitas e reduzir os custos. As demonstrações financeiras do exercício de 2024 foram elaboradas de acordo com as práticas contábeis aplicáveis à entidade operando em regime normal.

Relatório do auditor, nas palavras dele.

Ênfase - Ajustes retrospectivos

Conforme mencionado na Nota Explicativa nº 2.9, a Companhia contabilizou ajustes de exercícios anteriores no montante de R$ 4.686 mil, a fim de adequar as suas demonstrações financeiras. Em atendimento ao Pronunciamento Técnico CPC - Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro, para efeito de comparabilidade, foram considerados os ajustes retrospectivos nas demonstrações financeiras do exercício findo em 31 de dezembro de 2023.

Relatório do auditor, nas palavras dele.

6.O contrato

Dono do estádio
Estado do Rio Grande do Norte (DF 2025, notas 1 e 5)
Quem opera
Arena das Dunas Concessão e Eventos S.A., controlada pela E2 Arenas S.A., do grupo Metha (antigo grupo OAS). A E2 Arenas e as controladoras acima dela estão em recuperação judicial desde outubro de 2023; a operação não é parte do processo (DF 2025, notas 1 e 25)
Tipo de contrato
Parceria público-privada, na modalidade concessão administrativa, para demolir o Machadão e o Machadinho, construir a arena, operá-la e mantê-la (DF 2025, nota 1)
Poder concedente
Estado do Rio Grande do Norte, pelo contrato 001/2011 (DF 2025, notas 1 e 26)
Início
Contrato em vigor desde 15/04/2011; obras concluídas em janeiro de 2014 (DF 2025, nota 1; DF 2013, nota 1)
Prazo
Até outubro de 2031 (DF 2025, nota 1)
O que se paga ao dono do estádio
Metade da receita líquida das fontes adicionais: jogos, eventos, publicidade e locação de espaços. Desde 2022 o Estado não a desconta das parcelas nem a recebe (DF 2025, nota 14; relatório de procedimentos acordados de 31/12/2025)
O que o dono do estádio paga à operação
Parcela mensal de R$ 15,2 milhões pelo contrato: R$ 12,1 milhões pela obra e R$ 3,1 milhões pela operação, esta ligada a indicadores de desempenho. A parte da obra cai 30% do 9º ao 12º ano de operação e acaba no 13º. Desde 2016, por decisão da Justiça, o Estado paga 75% da parcela. O aditivo de 29/12/2025 fixou o que o Estado devia em R$ 198,6 milhões: R$ 36,9 milhões pagos em dezembro e R$ 161,8 milhões em 70 parcelas até outubro de 2031 (DF 2025, nota 5 e relatório do auditor)
Preço dos jogos para os clubes
Não detalhado na DF
Naming rights
Sem patrocinador no nome: o estádio se apresenta como Arena das Dunas (site da Arena das Dunas, 29/09/2026)
Clubes que mandam jogos
Clubes do Rio Grande do Norte, que não estão entre os acompanhados atualmente pelo portal; a DF fala em contratos com clubes, sem dizer quais (DF 2025, nota 19; agenda do site da Arena das Dunas)
Inauguração
Obras concluídas em janeiro de 2014, para a Copa do Mundo (DF 2013, nota 1; site da Arena das Dunas, página Apresentação)
Capacidade
31.375 pessoas (site da Arena das Dunas, página Estrutura)

Fontes

Todo número desta página vem exclusivamente das demonstrações financeiras publicadas pela própria Arena das Dunas Concessão e Eventos; a ficha do contrato vem das notas dessas demonstrações e do relatório de procedimentos acordados publicado pela arena, porque o contrato não foi achado em site oficial.

Valores em milhões de reais, como publicados, sem correção pela inflação; as demonstrações estão em milhares de reais.

O meutime.net não avalia a gestão de nenhum estádio nem de nenhum clube. Reúne o que a própria empresa que opera o estádio publicou, organizado pela mesma regra para todos, para que o torcedor leia os números com clareza e transparência.